sábado, 17 de dezembro de 2011

As Coisas Ruins Vêm de Deus Também?


As coisas ruins também vêm de Deus? Foi o que entendi lendo Lamentações 3:38.


Na Nova Versão Internacional da Bíblia, este verso está editado assim: “Não é da boca do Altíssimo que vêem tanto as desgraças como as bênçãos?”. No entendimento hebraico, Deus não intenciona fabricar o mal, mas permite a fabricação do mesmo. É o respeito que ele tem para com o livre arbítrio dos seres que criou. Mas vamos estudar este verso mais detalhadamente. Para isto, não vamos olhar para dentro do verso, mas para os seus arredores.
Para entendermos este questionamento de Lamentações 3:38, que parece estar afirmando que Deus cria o mal, temos que entender este trecho de texto inteiro, que vai do verso vinte e dois, até no verso trinta e nove. Veja que o assunto aí não é sobre “as maldades de Deus”, pois em Deus não há maldade, mas sim sobre as misericórdias de Deus. O “Novo Comentário da Bíblia” chama a atenção para o fato de que tão linda segurança e certeza nas infalíveis misericórdias de Deus sejam encontradas no livro de Lamentações e em tal contexto é, verdadeiramente, notável, e traz suas próprias ricas consolações. Veja também o verso 57.
Mas, voltando à introdução contida no verso 22 – “suas misericórdias não têm fim” – é preciso lembrar que o Targum e o Siríaco dizem: "As misericórdias do Senhor, verdadeiramente não cessam...", mas na realidade são adaptadas às necessidades de cada dia (cf. Dt 33.25-26).
Olhando para o todo, neste comentário supracitado, Francis Davidson, junto com os demais teólogos, nos fazem olhar a universalização que o poeta faz da sua própria experiência, do verso 23 em diante. Neste mesmo bloco, Jeremias inculca os deveres de vigilante expectativa e alegre submissão. "Que ele se sente solitário e mantenha silêncio" (28; dizem algumas versões), que ele encoste sua boca no pó, como um escravo espancado (29); pois a rejeição acabará por terminar (31), visto que isso não representa a vontade final de Deus para homem algum (32-33). Se Deus é tão justo que não pode tolerar os maus tratos a que são sujeitados os cativos, nem a perversão nos tribunais de lei, nem as práticas desonestas nos negócios (34-36), então qualquer sofredor pode conseguir ser paciente (26). O próprio mal (isto é, a tribulação, e não a perversão moral) igualmente, está sujeita ao controle de Deus e não tem existência independente dEle (38). Deus é supremo (37), e pode empregar a tribulação para fins benéficos. Nenhum homem vivo pode afirmar que seus sofrimentos são inteiramente desmerecidos (39). Enfrentar tais sofrimentos da maneira que é sugerida significa transformá-los em meios de bênção. Cf. Sl 119.71.
É como dizia o grande evangelista Moody: “Nada pode acontecer sem a permissão do Altíssimo. Então por que deveria um homem se queixar quando castigado pelos seus pecados? Não o sofrimento, mas o pecado devia ser lamentado. Não murmuremos contra Deus por causa do que nós mesmos provocamos”.
Quando o teólogo Matthew Henry medita sobre este trecho bíblico, ele nos orienta sobre o fato de que enquanto há vida, há esperança; ao invés de nos queixarmos porque as coisas não vão bem, devemos nos estimular uns aos outros com a esperança de que ficarão melhores. Somos pecadores, e as coisas pelas quais nos queixamos são menores do que os nossos pecados merecem. Devemos nos queixar a Deus, e não dEle. Em tempos de calamidades somos propensos a refletir nos caminhos de outras pessoas e lançar-lhes a culpa; porém, o nosso dever é investigar e examinar os nossos caminhos, para tornar-nos do mal a Deus. Nosso coração deve estar posto em nossas orações. Se as impressões internas não concordarem com as externas, não estaremos enganando a Deus, mas a nós mesmos, pois Deus não pronuncia o mal.


Um abraço,

Twitter: @Valdeci_Junior


Pergunta Que Será Respondida Amanhã:
Quando Deus está conversando com Jó (38:31-32), ao se referir aos signos do Zodíaco, ele está aprovando simbologia mística dos signos?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Devemos Ficar nas Cidades ou ir Ter Uma Vida no Campo?

Por que a escritora Ellen White ora diz que é melhor que os cristão estejam nas grandes cidades, ora diz que eles devem sair das grandes cidades? Ele se contradiz?

Para responder a esta pergunta, me recomendaram a leitura de um artigo de George R. Knight: Missão Metropolitana: Conselho de Ellen White Para Alcançar as Cidades, traduzido da Adventist Review por Kimberly Santana.
Neste artigo, o historiador Geroge Knight procura fazer uma análise do pensamento de Ellen White sobre a missão urbana. A justificativa da relevância de tal escrito está na problemática que surge quanto às diferentes interpretações que leitores de White e a própria igreja adventista têm feito quanto a qual seria a posição da autora em aconselhar os adventistas a estabelecerem-se nas cidades, ou não.
Durante muito tempo, tem sido dada uma grande ênfase a conselhos de Ellen White quanto a que o nosso povo deveria “permanecer fora das cidades” (Evangelismo, 76). O livro “Vida no Campo” é um enfático apelo para que os adventistas deixem de morar nas cidades. Mas a igreja tem a missão de pregar a todas as gentes, e do tempo de White para cá, as “gentes” migraram-se para as cidades. Teria Ellen White errado? Quem estaria hoje com a razão: White, ou a Missão Urbana?
Este aparente antagonismo surge porque a ênfase citada acima caiu no desequilíbrio. Deu-se atenção demais aos conselhos sobre viver no campo a ponto de ofuscar os conselhos sobre pregar nos grandes centros. White foi uma verdadeira apregoadora da Missão Urbana. E seus conselhos para viver no campo e pregar na cidade não se antagonizam.
É preciso ver tudo o que ela escreveu, não isolar citações, analisar os contextos, e buscar enxergar o seu pensamento como um todo, e não parcialmente. E nesta busca por equilíbrio, o foco fica da seguinte forma.
1)    Quanto às instituições (de saúde, comunicação  e educacionais):
a.    O ideal é que sejam rurais, longe dos grandes centros.
b.    Haverá exceções quando será melhor a prática do “mal-necessário” de ter uma ou outra destas instituições em alguma grande cidade.
c.    Os obreiros destas instituições também devem morar fora dos grandes centros.
2)    Quanto às igrejas.
a.    Devem ser erguidas nas grandes cidades, e em grandes quantidades, para ministrar aos povos das cidades que precisam receber a mensagem de esperança.
b.    Deve haver algumas nas áreas afastadas para atender às pessoas que forem lá viver.
3)    Quanto aos adventistas
a.    Viver no campo é melhor para seu crescimento espiritual.
b.    Estar na cidade é melhor para o desenvolvimento da pregação.
c.    Sempre que possível, devem procurar viver fora e ir aos grandes centros para pregar.
d.    Sempre haverá a necessidade daqueles que precisarão ficar permanentemente nas grandes cidades, para cumprir a missão.
e.    Se o adventista não está na cidade para cumprir a missão, é melhor que fuja dos grandes centros.
Nada disso é lei de medos e persas. São conselhos, que se norteiam em um ideal, mas que vez ou outra precisarão ser adaptados. O norte para não se perder nessa flexibilização é sempre ver o que é da vontade de Deus, o que contribuirá para o crescimento espiritual e para o cumprimento da comissão evangélica, sem ferir os princípios e valores que sejam divinos e eternos.
Por minha vida inteira, sempre fui adventista. Já vi muitas atitudes e pregações desequilibradas sobre este assunto. Minha própria família foi vítima de tal desequilíbrio, tomando decisões que mudaram o destino de todos os membros da mesma. Mesmo tendo estudado em tantas escolas adventistas, e já estando trabalhando para instituições e a obra adventista por mais de quinze anos, eu nunca tinha chegado a um pensamento equilibrado sobre este assunto. Este material foi simples, didático, e direto ao ponto. Muito esclarecedor.
Entretanto, para chegar a este entendimento, me foi preciso garimpar, encontrar e ler o artigo original (http://www.adventistreview.org/2001-1549/story2.html), porque a tradução para o português ficou um lixo.
Primeiro porque Kimberly Santana, a tradutora tropeça em falsos cognatos muito básicos, como por exemplo, traduzir “conferece” para “conferência” e não para “associação”. Pode ser simples, mas para muitas coisas você não sabe o que seria a realidade. Por exemplo, ao ler uma citação, eu quis saber a fonte, para ir ver melhor o contexto do recorte de texto, a datação da autoria, etc. A tradutora colocou na referência: “Mensagens Seletas”. Como não existe este livro em português, fiquei na dúvida: será “Mensagens Escolhidas” ou “Testemunhos Seletos”. Tive que ir fazer outras pesquisa para descobrir qual livro era qual. Nesse tropeço em cognatos básicos, Santana também demonstrou não conhecer os jargões da linguagem interna do adventistmo. E saber isso é indispensável para traduzir um artigo como esse.
A redação de Kimberly para o português também tem muitos ruídos de comunicação por deficiências de estruturação de frases, erros gramaticais e ortográficos. Kimberly precisaria melhorar sua técnica editorial de redação, ou contar com os serviços de, no mínimo, um revisor de textos. Ler o texto encontrando, a cada linha, tantas deficiências redacionais também trunca o pensamento.
Mas ainda bem que foi possível encontrar o texto original, Another Look At City Mission, por George R. Knight, de 06 de Dezembro de 2001, na edição online da Adventist Review (http://www.adventistreview.org/2001-1549/toc.html). Recomendo-o a todos os que se interessam em saber sobre como e onde os cristãos e a igreja devem instituir suas moradias e atividades, diante dos grandes contrastes existentes entre a realidade urbana e o contexto rural.
Um abraço,

Twitter: @Valdeci_Junior

Pergunta Que Será Repondida Amanhã:
As coisas ruins também vêem de Deus? Foi o que entendi lendo Lamentações 3:38.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Quem é o Povo de Israel?

Como interpretar corretamente o conceito de "Israel" nas profecias bíblicas?

Uma vez, eu ouvi o teólogo Alberto R. Timm dando a seguinte explicação, que eu anotei, e transcrevo-a aqui:

Temos os conceitos de Israel no Antigo Testamento e no Novo Testamento. É preciso escolher qual destes referenciais interpretativos sobre o assunto. Sempre a revelação posterior é mais autoritativa que a anterior, nesta escolha. Caso contrário, se eu pegasse as profecias condicionais vétero-testamentárias e aplicasse-as para a igreja, teria que desconsiderar o que o Novo Testamento disse. É o que o dispensacionalismo faz. Mas acontece que o Novo Testamento reinterpreta o conceito de “Israel”, estabelecendo o novo Israel. Mas no interrelacionamento entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento, no Novo temos os comentários inspirados de Cristo e dos apóstolos sobre as profecias sobre Israel no Antigo Testamento. E aí o conceito de Israel é colocado numa dimensão não geográfica, mas eclesiástica.
Trocando em míúdos, é o seguinte.  O conceito bíblico da posição de Israel nas profecias mostra esta “nação” não como um povo, ou uma nação em si mesmo. É como diz LaRondelle em seu artigo “Compreendendo Israel na Profecia”:
“Para o apóstolo Paulo, a verdade central do Velho Testamento não era Israel e seu futuro nacional, mas Jesus, o Messias, o Senhor de Israel, o Redentor do mundo.”
Como o Israel físico não cumpriu o seu papel em ser Luz para os povos, não deu ouvidos aos profetas de Deus, rejeitou o Messias e, finalmente apedrejou Estêvão (cumprindo o tempo de graça que lhes fora designado por Deus na profecia das 70 semanas de Daniel 9), este povo é então rejeitado como a nação (não como indivíduos) que seria porta-voz de Deus.
A partir de então, entra em cena o antítipo do Israel físico: O Israel Espiritual. Sobre isso, LaRondelle afirma no mesmo artigo:
“Somente em Cristo poderia Israel,  como nação, ter permanecido como verdadeiro povo do concerto divino. Rejeitando a Cristo, a nação judaica falhou no teste decisivo do cumprimento dos propósitos de Deus para os gentios.”
E ainda:
“A compreensão central do evangelho de Cristo está direcionada para o cumprimento do propósito divino da eleição de Israel: ser uma luz salvadora para os gentios. Natipologia bíblica, não é Cristo apenas que é o antítipo, mas Cristo e Seu povo, unidos no propósito salvífico de Deus para o mundo.”
É como Paulo deixa claro em Gálatas 6:16:
“Paz e misericórdia estejam sobre todos os que andam sobre essa regra, e também sobre o Israel de Deus”
Ou seja, Israel é o povo de Deus. Se você aceita a Jesus hoje, como seu Salvador pessoal e Senhor da sua vida, e passa a obedecer-Lhe, você é um israelita, sendo você de linhagem judaica ou não. Se qualquer pessoa, até mesmo um judeu, rejeita a Deus, ele não faz parte do povo bíblico (inclusive, neo-testamentário) de Israel.
Um abraço,

Twitter: @Valdeci_Junior

Pergunta Que Será Respondida Amanhã:

Por que a escritora Ellen White ora diz que é melhor que os cristão estejam nas grandes cidades, ora diz que eles devem sair das grandes cidades? Ele se contradiz?


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Deus Satisfaz o Homem?

Deus se dá ao capricho de satisfazer os desejos do coração do homem? Como posso entender Salmo 37:4?

Parabéns por procurar entender a palavra de Deus. O verso quatro do Salmo 37 é melhor entendido se não for analisado isoladamente, mas em seu contexto. Você já notou o quanto este verso e os outros, antes e depois dele, se parecem, em sua estrutura?

Observe:


Verso
Semeie o bem
Colherá o bem
3
Confia no Senhor e faze o bem;
habita na terra e alimenta-te da verdade;
4
Agrada-te do Senhor,
e Ele satisfará os desejos do teu coração.
5
Entrega o teu caminho ao Senhor,
confia nele, eo mais ele fará.



Agora, o que precisamos saber, é o que estes versos têm a ver com o texto num todo, ou seja, o que eles querem dizer. O Salmo 37 é um poema organizado em ordem alfabética, no hebraico. O chamamos de salmo didático, ou sapiencial. Quem o escreveu foi Davi, refletindo sobre quando as pessoas justas sofrem e vêem, ao mesmo tempo, que muitas pessoas más prosperam e vivem felizes. Logo, estas pessoas justas se perguntam se é verdade que Deus governa o mundo com justiça. Este poema, como o livro de Jó e os salmos 49 e 73, trata de responder a esse inquietante problema, mostrando que a felicidade dos perversos é temporária.

Talvez possa haver alguma dúvida, quanto ao risco que Deus estaria correndo em satisfazer os desejos de um coração humano. Mas note que a promessa é submetida à condição de que tal coração tenha os seus gostos ancorados no Senhor. Um coração assim, obviamente terá os seus desejos segundo o coração de Deus.

Como conclusão, deixo-lhe o conselho do próprio verso em questão, recomendando-lhe que procures colocar como sendo os anseios do seu coração, a vontade de Deus. Logo, Ele poderá realizar os seus sonhos, por serem conforme os desígnos dEle.


Um abraço,

Twitter: @Valdeci_Junior

Pergunta Que Será Respondida Amanhã:
Como interpretar corretamente o conceito de "Israel" nas profecias bíblicas?

domingo, 11 de dezembro de 2011

Ministério Médico-Missionário Urbano

O que a igreja tem a ver com a Saúde?
Eu tenho o prazer em compartilhar o que posso com você sobre este tópico interessante. Mas não vou fazer isso sozinho. O livro "Ministério Médico-Missionário Urbano" responde a esta pergunta, melhor do que qualquer outra fonte o faria. Portanto, abaixo, segue para você a "isca". Pegar o peixe ou não, é contigo.



MINISTÉRIO MÉDICO-MISSIONÁRIO URBANO
O método divino para alcançar pessoas do século 21
Descrição do Conteúdo
Neste livro, o compilador W. A. Wsterhout, do Departamento de Saúde e Temperança da Associação Geral em Loma Linda, EUA, faz um apanhado sistemático, organizado e seqüencial daquilo que a autora escreveu sobre os trabalhos das instituições de saúde e dos missionários profissionais da área da saúde dentro do contexto da evangelização urbana. Como compilação, o livro contém breves explicações, interferências e comentários, inseridos no trabalho de edição, que não são exatamente palavras de Ellen White.
Há um sabor de urgência colocado no começo do livro, que se introduz exclamando que “As Cidades Precisam Ser Advertidas Agora!”. Este capítulo introdutório não trata exatamente da saúde, mas faz um chamado geral aos cristãos para que estes despertem para o serviço missionário em favor dos grandes centros. E isso aplica-se a qualquer tipo de ministério cristão.
É nesse sentido que o capítulo “Evangelismo Integrado, Guiado Pelo Espírito” estabelece uma sequência ao anterior. Numa antecipação de Comunicação Social, a autora orienta:
“precisamos empregar todo meio razoável de levar a luz ao povo. Que a impressora seja usada, e que se utilizem todos os meios de publicidade para chamar a atenção quanto ao trabalho. Isso não deve ser considerado como não essencial” (página 13).
Pois, de acordo com ela, “unidade na diversidade é plano de Deus” (página 19). A integração de todos os recursos possíveis para a pregação evangélica é tão universal, ampla, holística e cósmica, que para compreendê-la, faz-se necessária até mesmo a concepção dos verdadeiros conceitos da trindade e do papel do Espírito Santo.
Para exemplificar este papel missionário da trindade, a divindade deu-nos Jesus, como um evangelista modelo. Sua obra “compunha-se sobretudo de entrevistas pessoas” (página 30),nas quais, Ele conhecia as necessidades das pessoas, e as curava. Hoje, ele não está pessoalmente mais nesta Terra, para ir de cidade em cidade curando os enfermos, mas nos deu a comissão disto “com o prosseguimento da obra médico-missionária por Ele iniciada. Devemos, nesse sentido, fazer tudo quanto esteja ao nosso alcance” (página 36).
O interessante é que na “Ciência de Deus Para o Evangelismo”, os profissionais e as instituições de saúde não são os exclusivos instrumentos da obra médico-missionária” (página 37). E isto é o interessante deste livro. Ao mesmo tempo que trata-se de um manual prático para a prática profissional da saúde conduzida pela comissão cristã, é também um guia devocional e de orientação para que qualquer cristão use os conhecimentos sobre saúde para aliviar a dor do ser humano e fazê-lo voltar-se ao Criador.
No capítulo cinco, o “Ministério Médico-Missionário Urbano” vai ao âmago da missão urbana. Nos centros urbanos as pessoas não podem dar-se ao luxo de sempre estar em casa para comer e de sempre ter tempo para cozinhar. Além de tudo, vivem estressadas. O cristão pode ajudar tais pessoas, nestas suas necessidades, estabelecendo restaurantes que levem a mensagem do viver saudável, e consultórios ou salas de tratamento e condicionamento físico que também ensinem o plano de Deus para nossa saúde. Como? É o que este capítulo ensina.
É incrível como, há mais de um século, esta autora já se preocupava com assuntos que, para muitos, seriam pautas somente do século 21. “Aconselhamento: Uma Necessidade Desesperadora e Crescente” é um capítulo que se preocupa com a questão psicossomática das doenças e com a depressão. Além de preocupar-se com as necessidades da boa alimentação e do exercício físico orientados, White aqui exalta os trabalhos terapêuticos da psicologia e do aconselhamento pastoral. Serviços estes que podem servir à sociedade e trazê-la, também, a ver Jesus.
Outros métodos que a igreja pode usar para alcançar as pessoas são “Retiros Rurais, Estâncias de Saúde ou Clínicas Pequenas, é o que ensina o capítulo sete. Trocando em miúdos: clínicas de recuperação (com ênfases na restauração e convalescença) e SPAs (com ênfases no prognóstico, na preservação e na prevenção). Uma dúvida muito importante é tirada neste capítulo:
“’Por que devemos ter hospitais? Por que não oramos, como Cristo, em favor dos doentes, para que eles sejam curados miraculosamente?’ Tenho respondido: ‘Digamos que fôssemos capazes de fazer isso em todos os casos... se tornariam reformadores da saúde aqueles que fossem curados? Jesus Cristo é o Grande Restaurador; Ele, porém, deseja que, vivendo de conformidade com Suas leis [leis da natureza; leis de saúde; etc], cooperemos com Ele na recuperação e na manutenção da saúde’” (página 93),
bem como na instrução sobre a mesma, e no compartilhar de tais ensinos.
Todas as pessoas devem receber a oportunidade de conhecer o evangelho, não importa onde estejam. Muitos pregadores se esquecem disso, e pregam o evangelho somente para o público que está mais acessível. Mas as pessoas influentes, os ricos, os idosos, os adolescentes e os jovens, os judeus, os imigrantes, os inimigos e qualquer outro grupo minoritário, não podem ser esquecidos pelo trabalho da missão cristã.
Como ajudar os desprivilegiados e os rejeitados? Os editores do livro comentam que “a melhor ajuda é ajudar as pessoas a ajudarem-se a si mesmas” (página 124). Porque White questiona que, “ao darmos aos pobres, convém consideramos: ‘Estou eu estimulando o desperdício? Estou eu os ajudando ou prejudicando?’ Ninguém que possa ganhar a subsistência tem o direito a depender de outros”. E é aí que este capítulo nos desafia a fazermos muito mais do que simplesmente dar. “Devemos esforçar-nos por prover-lhes trabalho e, se necessário, ensiná-los a trabalhar... Isso será um real auxílio, pois não somente os fará capazes de se manterem, como os habilitará a ajudarem a outros” (página 128). Portanto, cumpre ao papel cristão, também, a tarefa de curar a comunidade de seus problemas psico-sociais.
Uma cacetada no evangelismo mal-feito vem logo no logo na primeira página do capítulo 10, quando Ellen critica as séries de conferências de curto prazo. A obra da evangelização precisa transformar as vidas, mudando seus maus-hábitos. E isso não acontece de uma hora para outra. Aí entra a necessidade do tempo das séries evangelísticas ser longo. Deve ser também acompanhado dos trabalhos de casa em casa, da colportagem, da maestria dos instrutores bíblicos, da arte culinária e da orientação de médicos e enfermeiros cristãos.
Note quais são o primeiro e o último itens da lista acima. É aí que entra o capítulo onze: “Serviço de Saúde Domiciliar”. É importante que isto não está se referindo às empresas HomeCare de saúde. O que o povo mais necessita é de instruções sobre como cuidar da saúde. Se os cristãos se esmerarem em estudar isto, eles podem transmitir tais conhecimentos ao visitarem os lares. Os oradores podem fazer palestras sobre saúde, os pais devem ensinar os princípios de saúde aos seus filhos, pois a verdadeira temperança, além de ser uma área ampla, faz parte do evangelicalismo.
Mas os profissionais que são cristãos também podem usar sua profissão como um meio de salvação. Por isso, no capítulo doze, Ellen apela para que haja médicos como evangelistas associados. “O médico cristão tem um grande chamado. Com maior conhecimento do corpo humano e suas leis, ele está na posição de pregar o evangelho de salvação com mais eficiência e poder”. Assim como Jesus primeiro aliviava a dor, para então apresentar o Reino, o médico que é cristão também o pode fazê-lo. Nisto cabe uma bela parceria entre o médico e o pastor.
Até aqui, pudemos ver que a igreja pode trabalhar com a obra médico-missionária de forma leiga (com responsabilidade, é claro) e de forma profissional. Ambas as modalidades se completam. Mas esta última, requer não somente o trabalho de médicos e enfermeiros. Aí surge a necessidade de termos milhares de empregados em tempo integral para todo o suporte que a estruturação de tal trabalho profissional requer.
E como todo trabalho que tem uma filosofia honesta tem suas origens com os que lidam com ele, na obra médico missionária isso não poderia ser diferente. A saúde deve começar na casa e na vida dos que a propagam. Por isso, a autora dedica um capítulo inteiro para instruir sobre as moradias e sobre o preparo dos obreiros que se envolverão com este ministério.
Esta parte quase final do livro, como o capítulo anterior mencionado no parágrafo acima, é mais técnica e prática. No capítulo quinze, num verdadeiro passo-a-passo, White instrui, com detalhes, sobre as finanças para iniciar, operar e expandir o ministério médico-missionário urbano. Para isto ela usa experiências que, na época em que escreveu, a igreja já tinha vivido, para delas tirar lições de como operar no futuro.
O passo-a-passo também é detalhado para o serviço voluntário. Como conseguir voluntários da igreja local para o ministério médico-missionário urbano? Ou melhor, como nós cristãos sermos voluntários neste ministério? No lar, na igreja e na vizinhança, cristãos de todas as faixas etárias têm o que fazer. E a cada destes, o livro diz o “como”. Muito bom.
E o “onde”? “A todas as nações”, “para todas as gentes”, como disse Jesus. Onde houver cristão, que haja a ministração da cura holística do ser humano. “Em todas as cidades do mundo” é um capítulo que amarra o leitor a este ministério, não deixando brecha para que o mesmo escape, a menos que não seja cristão.
Para exemplificar tudo o que já foi dito, e exemplificar também os “onde” e os “como”, o capítulo dezoito apresenta a realidade de algumas cidades americanas e da vida na cidade.
O último capítulo do livro não é de autoria de Ellen White. Os editores, com tudo o que os capítulos anteriores ensinam em mente, apresentam, no capítulo dezenove, uma “implementação sugestiva”. É um verdadeiro manual, com todos os detalhes, para o campo da igreja que queira fazer o “Evangelismo Médico-Missionário Urbano, operado” pela “organização adventista do sétimo dia, legal, e sem fins lucrativos”. Prontinho. No jeito de apenas executar. É pegar ou largar. Só não trabalha e colhe os frutos, quem não quer.
Propósito da Obra
Como colocado na introdução do prefácio, o livro “Ministério Médico-Missionário Urbano: o método divino para alcançar pessoas do século 21” consiste em “chamado e conselhos de Deus para o Evangelismo Urbano, conforme revelado através do Espírito de Profecia”. Na visão da autora, a verdadeira ciência médico-missionária, aplicada conforme os métodos de Cristo, encontrará seu devido lugar quando os cristãos despertarem para suas responsabilidades e aproveitarem as ocasiões que lhes são proporcionadas. O objetivo final é que a terceira mensagem angélica seja proclamada com altissonante voz em conexão com uma obra médico-missionária executada pela igreja, sob as instruções de Cristo.
Sobre a Autora
Ellen Gould Harmon nasceu em 26 de Novembro de 1827, em Gorham, Maine, Estados Unidos, e morreu em 16 de Julho de 1915, na Califórnia. Em uma viagem a Orrington, Maine, em 1845, Ellen conheceu a Tiago White, um jovem adventista pregador com 23 anos de idade. Ele havia ouvido falar dela como uma dedicada e ativa cristã entre os adventistas. Eles se casaram em 30 de agosto de 1846, quando Ellen então passou a adotar o nome de Ellen G. White.
Desde Dezembro de 1844, quando recebeu sua primeira visão, Ellen dedicou-se a escrever e a pregar, desenvolvendo esse ministério durante 70 anos. Nesse período, educou ainda os filhos, ajudou o esposo, aconselhou os líderes da recém-fundada Igreja Adventista do Sétimo Dia e atuou como missionária na Europa e na Austrália. Sua produção literária ultrapassou 100 mil páginas.
Entre os livros que ela escreveu destacam-se aqueles que abordam o Grande Conflito entre Cristo e Satanás, desde antes da Criação até a eternidade dos remidos no Lar dos salvos. A “Série Conflito” foi iniciada com a publicação de O Grande Conflito em 1888, e concluída com Profetas e Reis, publicado em 1917. Os demais livros desta série são: Patriarcas e Profetas, O Desejado de Todas as Nações, e Atos dos Apóstolos. Ao todo, são um comentário 3.623 páginas cobrindo a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse.
De acordo com os representantes desta autora,
“durante toda a sua vida ela escreveu mais de 5.000 artigos e 49 livros; mas hoje, incluindo compilações de seus manuscritos, mais de 100 livros estão disponíveis em inglês, e cerca de 70 em português. Ellen G. White é a escritora mais traduzida em toda a história da literatura. Seus escritos abrangem uma ampla variedade de tópicos, incluindo religião, educação, saúde, relações sociais, evangelismo, profecias, trabalho de publicações, nutrição e administração. Sua obra-prima sobre o viver cristão feliz, Caminho à Cristo , já foi publicada em cerca de 150 idiomas” (http://www.centrowhite.org.br/interna.asp?id=006, em 08 de dezembro de 2010, às 19h).
Os Adventistas do Sétimo Dia crêem que Ellen G. White tenha recebido o dom de profecia. Seus escritos são um guia para a compreensão mais clara da Bíblia, jamais um substituto para esta, pois para os adventistas, a Bíblia deve ser vista, nos parâmetros sola-tota-prima scriptura, como a única regra de fé e prática. É conforme a própria autora determinou, que seus “escritos não são concedidos a fim de prover nova luz, mas para imprimir vividamente sobre o coração as verdades da inspiração já anteriormente reveladas”.
Uso de Fontes
Ellen White usa como fonte somente a Bíblia, e experiências vividas. Nisto, ela é genuína, e a aplicação homilética que faz das passagens bíblicas, longe de conter alegorias, em nada fere a correta hermenêutica bíblica. Muitas vezes ela cita passagens da bíblia, sem negar que são bíblicas, sem citar a referência de livro, capítulo, versículo, etc.
Entretanto, há que se observar que este livro é uma compilação. Ou seja, Ellen White nunca sentou-se para escrever “Ministério Médico-Missionário Urbano”. Isso não quer dizer que tal livro não seja dela. Como ela deixou, em muitos artigos, revistas, manuscritos, cartas, livros, etc., muita coisa escrita sobre o ministério médico-missionário urbano, O Department of Health and Temperance of The General Conference, de Loma Linda, nos EUA, através da pessoa de W. A. Westerhout, organizou um apanhado de tudo isso no formato de um livro. E então, para cada trecho colocado, os editores citam a fonte de onde vem aquele recorte textual. São citações de mais de cinquenta livros diferentes da própria Ellen White, e de dezenas de cartas e manuscritos da mesma autora.
Pontos Fortes e Pontos Fracos
O livro realmente alcança os objetivos propostos que descrevi acima. Quando terminei de ler o mesmo, minha reação foi esta satisfação de que a suma que pude reter foi exatamente o que o prefácio me propôs no início da leitura. Uma das tônicas destacadas neste assunto principal pode ser vista nestas palavras:
“Os médicos e enfermeiras não devem ser formais e antissociais, tampouco devem ser triviais e superficiais. Devem ser alegres e agradáveis, trazendo alegria ao coração do doente. Devem falar do Salvador e do Seu poder para salvar. NEle está a cura para a alma e o corpo” (página 99).
E nisto, a autora chega a orientar que os médicos devem orar com seus pacientes.
Além de alcançar o objetivo em seu tema principal, outros sub-temas podem ser extraídos do livro, de forma muito aproveitável. Por exemplos: a) Muitas vezes vemos líderes de diferentes ministérios cristãos degladiando-se ofensivamente, e nas páginas 122-123, White ensina sobre como lidar com líderes de outras denominações. b) Como os pais influenciam a formação do caráter dos filhos através da educação alimentar: página 151. c) A antecipação científica sobre a Dengue (embora ela não use esta palavra, pois a mesma ainda não existia), nas páginas 101 e 102.
Como todo livro de compilação, este livro também tem suas limitações. Muitas vezes, o leitor lê um parágrafo e percebe que a autora tinha ou teria mais a dizer, mas..., vem o corte e a inserção de outra citação oriunda de outra obra e contextos totalmente diferentes. Seguindo a linha de raciocínio dos editores, a seqüência tem lógica, mas o leitor fica a perguntar-se sobre qual seria a ordem de pensamento do autor.
A compilação é, muitas vezes, repetitiva. Parece que, na vontade de mostrar ao leitor tudo o que a autora disse sobre tal tópico, o compilador termina cometendo o pecado de patinar demais sobre um mesmo ponto. Pior ainda é quando a mesma citação é repetida, aqui e ali. Mas o pior de tudo é que, muitas vezes, a citação é repetida num mesmo tópico! Por exemplo, há uma citação na página 98 que aparece, da mesma forma, citando a mesma fonte, com as mesmas palavras, na página 101. E isto tudo, dentro do mesmo capítulo!
Identificação do Livro
White, Ellen G. Ministério Médico-Missionário Urbano: O método divino para alcançar pessoas do século 21. Traduzido por Dawerne Barzan, Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010, 250p.
Público Alvo
Os editores explicam que “este é um guia de estudos para obreiros adventistas do sétimo dia que percebem a necessidade das metrópoles” (página 4).
Eu digo o seguinte. Para os que amam e querem servir à IASD, esta obra é uma ferramenta de primeira mão. Para os que têm dúvidas quanto à idoneidade desta igreja, o livro Ministério Médico-Missionário Urbano também é útil. Portanto, acho que este livro é para todos os cristãos que têm senso missionário.
“Por vezes, os que tratam o errante com pouca misericórdia cometem erros muito mais graves aos olhos de Deus do que os cometidos por quem eles de modo tão severo condenam” (página 113).
Espero que esta resenha crítica seja importante para servir como um instrumento que lhe ajude a fazer uma abalizada avaliação quanto à possível aquisição, ou não, deste livro.
Eu recomendo esta obra.
Twitter: @Valdeci_Junior

Pergunta Que Será Repsondida Amanhã:
Deus se dá ao capricho de satisfazer os desejos do coração do homem? Como posso entender Salmo 37:4?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Texto Bíblico é Falso? Contém Heresia?

Por que I João 5:7 e 8 aparece entre colchetes na Bíblia? Seria um texto bíblico falso? Se é falso, contém heresia?








“Pois há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito.”
 I João 5:7 e 8.

A passagem bíblica que serve como base para a teoria, do suposto “evangelho da água” - 1João 5:7-8 - não tem sustentação. Você já percebeu que a maioria das versões bíblicas a traz entre colchetes. Você sabe por quê? Esta passagem não existe em nenhum manuscrito grego. Ela também não existe em nenhum manuscrito anterior ao século 12. Ela só existe em alguns manuscritos em latim que são cópias diretas da Vulgata.
A primeira vez na história que estes dois versículos aparecem é exatamente na Vulgata. No contexto em que Jerônimo vivia, haviam sérias controvérsias e discussões teológicas sobre problemas relacionados com a trindade e com a doutrina do Batismo, em especial o significado do Batismo de Cristo: daí vem a teoria da ênfase maximizada no significado da água. Por estas e outras evidências, a maioria dos teólogos, estudiosos e peritos, é unânime em concordar que estes dois versos não estavam no manuscrito original, e portanto não tenham sido escritos por João, ou sejam não fazem parte do cânon sagrado.
Apesar disso, tais versos não apresentam heresia. O que não podemos é construir teologia em cima deles. Apesar de parte deste texto não estar na maioria dos textos massoréticos (o que está entre colchetes é, provavelmente, o comentário de um copista sobre o texto), ele não está acrescentando uma heresia na Bíblia, porque a doutrina da Trindade é apoiada em inúmeros textos bíblicos incontestáveis: Mateus 28:19, 2 Coríntios 13:13, Mateus 3:13-17, Judas 1:20, 21, etc.
A prática hebréia, baseada em Deut. 17:6; 19:15; etc., exigia o firme depoimento de duas ou três testemunhas para poder tomar uma decisão em certas disputas legais. João cita aqui três testemunhas apoiando a divindade de seu Mestre (1 João 5:5-6,8), assegurando assim a seus leitores de que sua declaração era digna de fé. 
João apresenta a base na crença no Jesus divino-humano especialmente em resposta aos heréticos que sugeriam que o Espírito veio a Jesus em seu batismo, mas o deixou na crucificação. João insiste que Cristo possuiu o Espírito Santo durante toda a vida terrena (uma vez que Ele nasceu pelo poder do Espírito).
Água, provavelmente refira-se ao batismo de Jesus, quando o Pai declarou sua identificação com o Filho e o ungiu para seu ministério. Sangue refere-se à crucificação, através da qual Cristo completou sua obra. O Espírito testemunha em relação a Cristo em cada momento de sua vida.
Que o testemunho do Espírito Santo em sua vida seja também uma realidade.


Um abraço,

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e 
Débora Christina Teixeira


Pergunta Que Será Respondida Amanhã:
Amanhã, irei recomendar um livro

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Caminho, a Verdade e a Vida - Conclusão

João 14:6 possui um significado mais profundo do que simples metáforas? Jesus utilizou estas figuras de linguagem simplesmente para embelezar suas palavras, ou elas trazem um significado ainda maior?
As palavras de São João 14:6 são eternas. O mesmo objetivo com que Cristo se dirigiu aos apóstolos para dizer tais palavras é aplicado a todos hoje.

Ellen G. White usa aplicações homiléticas deste verso para, praticamente todas as áreas da vida. Ela o faz com a finalidade de mostrar que a total dependência que o ser humano tem de Deus só pode ser suprida por uma maneira que é Jesus.

Os outros escritores adventistas analisam este verso como uma revelação de Deus ao homem. Pela encarnação de Jesus como Homem-Deus, ele é o único caminho de salvação

A exegese maior fica com os demais teólogos. Eles parecem concordar na existência de uma ênfase maior na palavra caminho como sendo um resumo de toda a mensagem do verso de que é como conhecer o Pai.

"Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14:6). A simplicidade aparente deste verso bem como sua beleza literária são um convite à atenção de iletrados e cultos para o objetivo maior de Cristo ao visitar este planeta e efetuar todo o plano da redenção.

O fim se consome desde o princípio em suas aplicações. Encontramos aqui uma diversidade exegética dos teólogos e uma grande variedade de aplicações homiléticas de Ellen G. White se fundindo na mensagem da única maneira de mediação entre Deus e o homem, a saber, o próprio Cristo. Seu objetivo é alcançar a todos, portanto suas palavras são simples, bonitas e de profundo alcance. Permissivas de estudos cada vez mais complexos sobre elas mesmas.

“Caminho” é a palavra chave do verso. A Profundidade do estudo detalhado de cada parte do versículo, tendo como ponto de vista o principal meio, ou seja, caminho para a salvação, mostra que ele é uma declaração enfática repetitiva que faz o analisador gravar bem em sua mente a mesma mensagem superficial lida pelo mais simples leigo, colocando a todos em uma mesma posição de igualdade em sua dependência de Deus.

Daí se explica a popularidade do trecho: "Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim"; palavras que trazem uma carga de praticidade a ser aproveitada nas mais diferentes situações da vida, para alcançar o único meio de salvação que é Seu próprio autor, Jesus.

Um abraço,

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sábado, 3 de dezembro de 2011

O Caminho, a Verdade e a Vida - Terceira Parte

O que os autores não-adventistas dizem sobre João 14:6?

As exegeses que a maioria dos teólogos, exegetas e comentaristas fazem ao se referirem a esta passagem de São João 14:6 tendem a enfocar a expressão "Eu sou o caminho" como sendo o englobamento geral de toda a mensagem do versículo. Mas percebemos que isso é feito, sempre referindo-se a Cristo como único meio de salvação, num consenso em admitir a necessidade que o ser humano tem, tanto de Deus, quanto de sua revelação.

O caminho se faz com a humanidade de Jesus pela encarnação trazendo a vida e a verdade de Deus. Note essa declaração, de um dos mais respeitados comentários bíblicos “Apesar da coordenação das três condições, o Cainho, a Verdade, e a Vida, a ênfase se recai claramente na primeira, e conclui como uma dedução da cláusula principal: ‘ninguém vem ao Pai senão por mim’”[1].

A expressão “Eu sou o caminho”, adequadamente define a Jesus em “Seu papel de mediador entre Deus e Homem; como a verdade, Ele é o mediador da revelação de Deus, e como a vida, Ele é o mediador da salvação que é vida em Deus”[2]. E isso leva a uma curiosidade.

No tempo em que Cristo viveu aqui na Terra havia uma forte tendência da busca de coisas esotéricas para suprir as necessidades da alma. Cristo, ao dizer que era o caminho, estava declarando aos seus discípulos que, bem ao contrário dos apocalípticos ou agnósticos, o crente não precisava de algum conhecimento esotérico especial, do além, para seguir agora no caminho da salvação[3], pois em segui-lo havia suficiência plena, dispensando qualquer outro meio optativo que os atraísse naqueles idos. Isso era uma convocação para uma religião mais racional, mais ao mesmo tempo sensível.

Esta suficiência pode ser claramente vista, na fusão das duas frases do verso quando se analisa o artigo "o" e a palavra "ninguém" no mesmo. Se o Mestre houvesse dito para os seus discípulos que ele era "um caminho", logo, ele deixaria margem de haverem mais caminhos (outros cristos?). Entretanto o artigo "o" torna único tal caminho e faz uma relação direta com a palavra ninguém da segunda frase. Daí surge a razão da maioria dos comentaristas enfatizarem somente a primeira parte do verso, visto ser a última apenas uma confirmação enfática de esclarecimento. Portanto, o plano de salvação é "somente através de Jesus"[4]. Qualquer outro argumento é loucura[5] e agir de outro modo é um "insulto a Deus"[6].

F. F. Bruce justifica a ênfase da condição "caminho" dizendo que "na língua semítica que Jesus falava os substantivos verdade e vida são governados por caminho como se Ele dissesse: 'Eu sou o caminho vivo e verdadeiro'". Mas crê que o "evangelista entendia os três substantivos coordenados" definindo claramente seu objetivo mediador ao vir a esta Terra. Esta coordenação dos atributos vista pelo evangelista é uma forma de “como que uma corporificação da auto revelação de Deus”[7], diz Bruce.
Amanhã, vamos concluir este assunto.

Um abraço,

Twitter: @Valdeci_Junior


[1]George R. Beasley-Murray, Word Biblical Commentary Jonh, 51 vols. (Waco, Texas: Word Books Publisher, 1987) 32:253.[2]Ibid., 252.[3]Cifton J. Allen, Comentário Bíblico Broadman, 12 vols. (Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações,1987) 6:386.[4]James Montgomery Boice, The Gospel of Jonh, 5 vols. (Grand Rapids, Michigan: Zondervan Publishing House, 1980) 3:122.[5]Ibid., 123.[6]Ibid., 127.[7]F. F. Bruce, João Introdução e Comentário, Série Cultura Bíblica, (São Paulo: Sociedade Religiosa Edições e Vida, 1987), 256.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O Caminho, a Verdade e a Vida - Segunda Parte

O que os autores adventistas dizem sobre João 14:6?
Continuando o assunto de ontem, hoje vamos ver o que outros autores Adventistas do Sétimo Dia dizem ao comentar o verso em questão. Após nosso estudo realizado em pesquisa, concluímos que, em caráter diferente de Ellen G. White, os demais escritores e comentaristas preocupam-se em escala maior com a análise do verso em si, do que aplicações homiléticas para o mesmo. E a exemplo disto separamos aqui a idéia transmitida de dois modos. Em primeiro lugar, um autor isolado e sua posição, e logo em seguida, uma representação geral dos comentaristas Adventistas através do Comentário Bíblico Adventista Do Sétimo Dia.

Quando analisadas as palavras de Jesus de que Ele é o caminho, a verdade e a vida e ninguém vai ao Pai se não por Ele, há uma ênfase maior voltada para a introdução do verso no que diz respeito ao caminho ali referido. Este caminho, trata-se de toda uma aceitação de conhecimentos, verdades e do modo de viver que conduzem ao Pai. Ao comparar com o ato de Saulo procurar por alguns que eram do "Caminho" (At 9:2), G. M. Hyde diz que "Saulo de Tarso assumiu a si por seguir os membros da Igreja de Cristo"[1]. E que ao aspirarmos por um novo segmento que nos ajude a corrigir o caráter para melhor, que nos faça ascender na escalada espiritual, "em Cristo" aspiramos por um novo caminho. "A palavra 'caminho' aparece como um sinônimo primitivo de Cristianismo"[2].

De um modo geral, os Adventistas crêem que ao Jesus dizer: "Eu sou o Caminho" (Jo 14:6), ele se apresentava como o caminho ao céu através de sua característica Homem-Deus. Como uma escada que liga os Céus à Terra, por sua encarnação e morte consagra-nos um novo e vivo caminho, tocando a Terra por sua humanidade e os Céus por sua divindade[3]. A verdade é a revelação de Deus e seus ensinos através de Cristo[4], bem como vida é a esperança da resturação de tudo o que Adão perdeu, também por meio dEle, pois devido ao pecado o homem se separou desta única fonte em que há vida original. Estes três atributos de Cristo, conduzem-nos ao Pai[5].

Apresentar a Cristo como o único meio de salvação tendo em vista estes três pontos para conhecermos o Pai é uma característica praticamente unânime entre os Adventistas do Sétimo Dia
Amanhã, continuaremos este assunto vendo o que os autores não-adventistas dizem sobre João 14:6.

Um abraço,

Twitter: @Valdeci_Junior


[1]Gordon M. Hyde, Passos no Caminho da Fé, Lições da Escola Sabatina, n.º 332 (Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1978), 11.[2]Ibid., 15.[3]“I am the way” [Jo 14:6], Seventh-day Adventist Bible Commentary (SDABC), ed. F. D. Nichol (Washington, DC: Review and Herald, 1953-1957), 5:1035.[4]“Verdad” [Jo 8:32], Comentario Biblico Adventista del Septimo Dia (CBASD), ed. F. D. Nichol (Moutain View, CA: Pacific Press Publishing Association, 1987), 5:966.[5]“La vida” [Jo 1:4], CBASD, 5:876.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O Caminho, a Verdade e a Vida - Primeira Parte

O que Ellen White escreveu sobre São João 14:6?
Em seus escritos Ellen G. White, praticamente não se preocupa com uma análise exegética de São João 14:6. Como resultado desta pesquisa selecionamos, como exemplo de tantas outras, algumas citações em que a escritora ocupa-se na preferência em comentar o Cristo do versículo a falar do versículo do Cristo. Sua prioridade, a cada vez que se refere a esta passagem, é de aplicações homiléticas.

E. G. White faz uso do versículo para enfatizar a dependência que o humano tem o divino em todas as suas diferentes situações espirituais da vida. Desde quando totalmente separado dEle até quando sendo um arauto Seu. E que a única solução para isto é Cristo.

Quando totalmente longe dEle, a raça humana de nada vale a menos que siga a Cristo que é o caminho, a verdade, e a vida[1]. Nesta situação até mesmo os sonhos do homem são vãos e sem sentido de progresso. Para sair da mesma não há duas escolhas de modo pois que Ele é o único caminho[2]. O nosso esforço próprio não nos permite avançar um só degrau, outrossim as palavras de Cristo não seriam verdades. Mas quando nós “aceitarmos a Cristo, as boas obras aparecerão como evidência frutífera que nós estamos no caminho verdadeiro da vida, caminho que conduz ao céus”[3].

Este resgate é feito como um caminho que liga os Céus à Terra, o humano ao divino, ao Cristo o Criador com Vida Própria, o qual estava ao lado do Pai, se tornar a ponte para dar vida ao ser humano que, caído não possui vida em si mesmo[4]. Isto foi confirmado na sua oração após o batismo, fazendo “abrir os portões do céu. E o Pai a respondeu aceitando a petição pela raça caída. Jesus orou como nosso substituto e agora a família humana pode achar acesso ao Pai pelos méritos do seu Filho bem-amado”[5].

A condição para tal raça caída realmente encontrar o caminho de volta à fonte de vida, é através do meio deixado pelo próprio Deus que anseia a aproximação. E este meio é a bíblia, pois ela é a sua palavra. Examinamos as Escrituras, porque julgamos ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de Cristo (Jo 5:39). Sim, são as palavras que testificam da fonte de vida eterna, logo seus ensinos são vivos e eternos. Isto é demonstrado na parábola do semeador onde a semente representa a palavra de Deus. E assim como a semente em si mesmo possui poder germinativo, ou seja, em si mesmo possui vida, a palavra de Deus também é viva. Uma vez que os ensinos farisaicos não produziam frutos, eles não estavam em Deus. Mas os ensinos de Cristo sim, estes possuíam vida pois produziam frutos. Isto porque eles vinham da própria fonte de Vida que era o próprio Jesus[6]. Portanto, ao ler a Palavra de Deus, o leitor somente terá um efeito positivo em sua vida se tiver, presentemente junto, o Autor desta palavra que é o caminho a verdade e a vida[7].

O plano de Cristo como caminho ao Pai não termina aqui. Ao contrário, se consiste em um processo aumentativo a começar pelo conhecimento de Sua palavra. Não devemos deixar de buscar as escrituras por nós mesmos apoiando-nos assim em esclarecimentos de tradições, pois qualquer grupo de pessoas não pode ser um grupo de guardiões únicos de verdade e conhecimento. Mas há somente Um que é infalível, Ele que é o caminho, a verdade e a vida[8]. Assim como Seus discípulos aqueles que experimentam hoje este caminho à fonte da vida que é o Pai também são comissionados a trabalhar para Ele em testemunho de outros, vencendo somente se ligados à fonte da vida e tendo em Cristo a única ligação para realizar o grande trabalho a eles comissionado[9].

As áreas em que tais obreiros devem testemunhar são mais variadas do que imaginamos. Muitos estão sofrendo de maldades da alma muito mais que de doenças do corpo, e eles não acharão nenhum alívio até que venham a Cristo, o manancial de vida[10]. E este tratamento da alma pode efetivamente ser realizado por intermédio da obra médico missionária, quando esta está aos cuidados de obreiros que conhecem a fonte desta cura, Jesus o caminho a verdade e a vida[11].

Enfim, com seu enfoque Cristocêntrico Ellen White coloca a todos os mortais, quer incrédulos ou missionários, na necessidade de estar sempre dependentes deste Caminho ao Pai que é Jesus, unicamente.

Um abraço,

Twitter: @Valdeci_Junior


Pergunta Que Será Respondida Amanhã:
O que os autores adventistas dizem sobre São João 14:6?

[1]Ellen G. White, Testimonies for the Church, 9 vols. (Mountain View, CA: Pacific Press, 1948), 2:170.[2]Idem, Steps to Christ (Mountain View, CA: Pacific Press, 1948), 21.[3]Idem, Selected Messages, 3 vols. (Washington, D.C.: Review and Herald, 1958), 1:368.[4]Ibid., 53. [5]Idem, My Life Today, Meditações Matinais (Washington, D.C.: Review and Herald, 1952), 260.[6]Idem, Christ’s Object Lessons (Washington, D.C.: Review and Herald, 1941), 39.[7]Idem, Evangelism (Washington, D.C.: Review and Herald, 1946), 290.[8]Idem, Testimonies to Ministers and Gospels Workers (Moutain View, CA: Pacific Press Publishing Association, 1962) 105.[9]Idem, The Acts of the Apostles (Moutain View, CA: Pacific Press Publishing Association, 1911) 25-33.[10]Idem, Counsels on Health (Moutain View, CA: Pacific Press Publishing Association, 1951) 501.[11]Ibid., 502.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Caminho, a Verdade e a Vida - Introdução

João 14:6 possui um significado mais profundo do que simples metáforas? Jesus utilizou estas figuras de linguagem simplesmente para embelezar suas palavras, ou elas trazem um significado ainda maior?
É comum, entre os estudantes, pesquisadores, teólogos, professores ou leigos, quer seja em uma reunião específica, em sala de aulas ou em uma simples conversa de passatempo, que se tome ocupação em discutir algum ponto curioso ou de difícil compreensão bíblica. Porém, por que versículos que às vezes parecem ser tão comuns e simples, são recitados por tantas pessoas? Depois que Jesus disse suas memoráveis palavras a Seus discípulos: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14:6), milhares de pessoas têm decorado e relembrado este verso, até ao dia de hoje.

Mas possui esta passagem um significado mais profundo do que simples metáforas? Jesus utilizou estas figuras de linguagem simplesmente para embelezar suas palavras, ou elas trazem um significado ainda maior? A questão é que reiteradas vezes usamos e reutilizamos este versículo sem conhecer a profundidade de suas próprias aplicações.

Para maior aplicação tanto exegética quanto homilética é de grande benefício que saibamos com que finalidade Cristo se dirigiu aos seus discípulos se expressando dessa maneira, com tais palavras. Esta é a razão pela qual passaremos a estudar este versículo de forma detalhada. Neste estudo, hoje e nos próximos três dias, faremos uma análise de cada uma das partes de João 14:6. O objetivo final será de verificar o grau de importância dessas partes, e a relação que elas têm entre si.

Vou dividir as postagens em três sessões diárias, e depois uma conclusão, nas quais estudaremos, o que Ellen Golden White, escritora adventista americana, deixou em suas obras referindo-se ao verso, qual a posição dos demais autores e teólogos de seu segmento religioso, e um estudo do uso deste verso por comentaristas bíblicos de renome no mundo teológico. Depois, vou terminar com uma conclusão que conduzirá o estudo a uma aplicação proveitosa e prática.

Vamos continuar este assunto amanhã,

Um abraço,


Twitter: @Valdeci_Junior