quarta-feira, 11 de junho de 2014

Prodígio Biogênico

Cristo sempre comparava o reino de Deus com algo que fosse ou estivesse em interação com um organismo vivo. Em comprovação de larga escala, estudos mostram que as igrejas nascem, crescem, se reproduzem e morrem.[1] No Reino, nada é estático. Qualquer elemento de um organismo, ou está em desenvolvimento ou em deterioração. No último artigo, escancaramos aqui o retrato da autópsia. Agora, vamos nos focar na visão do milagre.
Assim como algumas pessoas desenganadas pelos médicos surpreendem a todos com sua recuperação, há também igrejas que retornam. Qual é o segredo? Após estudarem 324 desses casos, Ed Stetzer e Mike Dobson mostram a reconstrução pós-queda[2], buscando responder a seguinte pergunta: “Quais são os princípios usados por essas igrejas que retornam, que poderiam ajudar pastores e igrejas em declínio a se revitalizarem?”[3]
De acordo com estes especialistas, igrejas que conseguem o impossível retorno se mostram serem altamente bíblicas, missionais[4], espirituais e bem dirigidas. Na luta pela “ressurreição”, muitas vezes, as decisões do plano de ação se dão até mesmo em silêncio, na arbitragem do líder (Neemias 2:11-18). E isso significa que tal liderança venha a ser proativa e ter positividade (1Timóteo 3:1), pois as pessoas têm que fazer parte do processo de retorno (Atos 6:1-5). Assim como geralmente a estagnação de uma igreja se dá por sua liderança, o contrário também é verdade. É observado que igrejas mortas que conseguem dar a volta por cima têm líderes que resolvem crescer mais, embora aparentemente já estivessem totalmente crescidos. Isso pode acontecer de diferentes formas, mas o ponto inicial sempre é comum: a disciplina devocional. A intensa oração dos líderes aparece nas pesquisas dos estudiosos como o ponto de maior destaque. Em primazia, comunhão.
A adesão dos membros também passa pela comunhão, mas cresce na adoração. Em todas as igrejas que foram estudadas por terem feito o retorno fenomenal, foi verificado que para elas a adoração coletiva, o ensino e a pregação eram de suma importância, feitos, dentro da esfera de suas limitações, com o máximo de intensidade, criatividade, flexibilidade, espiritualidade e muita qualidade. E ainda mais: a interatividade desta experiência coletiva acontecia com uma disposição dos membros para torná-la aprazível de tal maneira que não se contentavam com encontros apenas na igreja. A isso denominamos “Pequenos Grupos”. Em uma palavra, relacionamento.
O que destaco por último, mas não menos importante, no estudo de Stetzer e Dobson, é a forte ênfase que todas as igrejas que conseguiram sair do estado mortuário tinham no evangelismo. O compromisso com a Grande Comissão é questão vital para a sobrevivência de uma igreja.[5] Isso ainda é mais forte na Igreja Adventista, pois ela não é uma instituição de capelania estabelecida puramente para o apascento de seus fiéis. Pelo contrário, esta denominação é, sobretudo, um movimento missionário. Assim ela nasceu e esta é sua natureza: missão.
O retorno à vida está ao nosso alcance. A conexão para que esta igreja migre da rota de Laodicéia para a estrada da Nova Jerusalém já está apontada por sua liderança: Comunhão, Relacionamento e Missão. E para não ficarmos somente com a teoria, não nos faltam também instruções detalhadas de como lograrmos tal intento. Ellen White deixou disponíveis dezenas de dicas sobre como você pode crescer nestes três aspectos de Reavivamento e Reforma.[6] Acima de tudo, temos as instruções da Palavra sobre como mantermos esta conexão com a vida (João 15), ou até mesmo acerca de como reativá-la, caso tenha se perdido (Romanos 9-12).
Até mesmo nas ciências naturais, a abiogênese aristotélica[7] já está sendo refutada desde Francesco Redi. Precisamos de interligação com a Fonte. Portanto, vamos dar as costas à morte, pois o prodígio biogênico está ao nosso alcance! O nome desta vida é Jesus! (João 14:6).

Fonte: http://noticias.adventistas.org/pt/coluna/valdeci-junior/prodigio-biogenico/
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[1] Ferreira, Otoniel. Reingniting the Life Cycle of Pleateauing Churches, emKuhn, Wagner, editor, The Book And The Student – Theological Education As Mission: A Festschrift Honoring José Carlos Ramos (Berrien Springs, MI: Mission Department, Andrews University. 2012), páginas 289-311.
[2] Stetzer, Ed. e Dodson, Mike. Comeback Churches: How 300 Churches Turned Around And Yours Can Too.(Nashville, Tennessee: B & H Publishing Company, 2007) 260 páginas.
[3] Um detalhamento maior pode ser visto em Comeback Churches: Igrejas em Retornohttp://www.nasaladopastor.com/2014/05/comeback-churches-igrejas-em-retorno.html
[7] Biogênese e Abiogênesehttp://pt.wikipedia.org/wiki/Biog%C3%AAnese

terça-feira, 10 de junho de 2014

Evolução X Criação

Sabemos que Deus existe e Ele é o maravilhoso criador e mantenedor. Em primeiro lugar a evolução não é uma realidade científica. Tanto que os maiores cientistas nunca a professaram. Os três maiores: Galileu Galilei, Isaac Newton, Albert Einstein foram crente s em Deus e na Bíblia. Einstein declarou que a “teoria evolucionista mecanicista é produto de cientistas atrasados”. Cientistas profundamente sérios encontraram pelo menos doze barreiras cientificas para que a teoria da evolução seja um fato . A ciência confirmou que a matéria não é eterna, ela foi criada.


Como as estrelas queimam através de explosões atômicas e como em toda queima  há gasto de combustível, cada estrela gasta mais de dez toneladas da sua matéria por segundo para produzir luz e calor . Einstein dizia e a ciência confirmou que a luz tem massa. Diante desses fatos surgem duas questões lógicas:

1ª -  As estrelas foram criadas pois, se fossem eternas, há muito teriam consumido seu combustível e não haveria  vida de espécie alguma .

2ª - Conforme declarou Isabel Lewis, do observatório naval dos EUA, o sol, por exemplo, em duzentos anos ficaria terrivelmente diminuído pelo combustível que ele iria consumir.
A única explicação  é que o Deus que criou as estrelas renova sua matéria porque além de Criador, Ele é Mantenedor .

Louis Pasteur comprovou para todo o mundo que “vida só vem de vida”.  Logo, a evolução por ensinar que a vida vem da matéria bruta esbarra nesta lógica irrefutável levantada por Pasteur.

Rapidamente, com muito carinho, vamos lhe dar uma evidência da existência de Deus: Os grandes centros astronômicos das Universidades ajustam os relógios ou marcadores do tempo pelas estrelas que nunca conhecem adiantamento ou tardança. Mas uma estrela por ser uma massa em fogo até que poderia sofrer atrasos ou adiantamentos. Mas a terra, nunca! Ela possui 71% da superfície tomada por águas. Se alisássemos os oceanos teríamos uma profundidade de 5.000 metros. Essas águas estão em perfeito equilíbrio e não sentimos a rotação da terra. No Equador a terra gira a mais de 1660 km por hora. Se a terra parasse, as águas avançariam sobra terra seca numa velocidade além de mil km por hora. Isso seria tão devastador que cientistas calculam que mesmo explodindo todas as bombas atômicas estocadas (que podem destruir três vezes a terra) a força dessas explosões seria muito inferior à força acionada e destrutiva pelo fato de Deus parar a terra.
Mas Edwin Ball comprovou que a terra já teve 24 horas de atraso. Estudos feitos pela Universidade de Yale comprovaram que o dia longo de Josué (Josué 10:10-12) foi um atraso de 23h e 23 Min. E isto é um  fato Bíblico, pois  a última declaração do verso 13, diz : “O sol pois se deteve no meio do céu e não se apressou à pôr-se por quase um dia inteiro.” O astrônomo que estudou este fato, era um incrédulo. Mas investigou a Bíblia para ver se encontrava os outros 40 minutos que faltavam. Então deparou com o milagre maior do que o próprio dia longo de Josué. Atendendo as orações do rei Ezequias Deus resolveu  atrasar a terra em 10º graus. Hora, para fazer isso Deus teve que parar a terra e trazer 10 graus para trás. Como cada fuso horário da terra tem 15 graus e cada fuso é percorrido em 60 minutos; portanto cada grau que a terra avança, passam-se 4 minutos nos nossos relógios . Naquele momento o astrônomo de Yale  deparando com um  fato que só Deus por  ser Deus poderia realizar , se ajoelhou e disse: “Senhor, eu creio”.

Esse é um dos muitos milagres  que a Bíblia registra e a ciência confirma que só Deus poderia realizar.

Há um vazio em nosso coração que só pode ser preenchido com o amor de Deus. Quando buscamos preenchê-lo com outras coisas sempre saímos machucados. Só o amor de Deus pode lhe trazer equilíbrio emocional e satisfazer toda sua sede por conhecer a verdade.

Para pesquisar mais acerca do assunto, recomendamos que visite a página da internet: www.scb.org.br

Teoria da Evolução:

Precisamos ter consciência que a verdadeira sabedoria só pode vir de Deus, como disse Einsten: "A ciência sem religião não tem significado e a religião sem a ciência é burra”.

Sobre a existência de Deus só temos evidências através das coisas criadas, não podemos porém, colocar Deus num laboratório para dissecá-Lo. Se pudéssemos explicar a Deus e Sua origem Ele deixaria de ser Deus. Como poderia uma mente finita compreender uma mente infinita? É como querer colocar todo o oceano em um simples copo.

Creio que é preciso mais "fé" para acreditar na evolução do que para crer que um Ser amorável e inteligente criou todas as coisas. Quando estudamos sobre a maravilhosa complexidade do corpo humano, sua anatomia perfeita, seus órgãos funcionando em precisa sincronia, perguntamos: tudo isto surgiu por acaso? Quando olhamos para o céu, com mais de 200 milhões de galáxias, tendo em média mais de 200 bilhões de estrelas em cada uma delas, e0 os planetas girando em torno das estrelas (sois), e estas girando em torno de um ponto comum no meio da galáxia, e as galáxias também tem o seu percurso, onde giram em torno de um ponto central do universo, (os cientistas não sabem o que é este centro do universo que mantém as galáxias ligadas a ele por uma força imaginavelmente poderosa), como poderiam estes planetas e estrelas com o seu percurso perfeitamente traçado, onde se revolvem em perfeita harmonia, ser obra do acaso?

Não há como provar que Deus existe, mas também não há como provar que Ele não existe. Temos evidências de sobra que atestam a existência de Deus, contudo há uma maneira de provarmos a existência de Deus para nós mesmos!

Eu sei que Deus existe pois falo com Ele todos os dias, e Suas respostas às minhas orações, são a maior prova de que Ele existe. Apenas quem conhece a Deus através de um relacionamento pessoal com Ele, pode sentir e perceber sua amorável existência.

Nós não sabemos como é a forma física de Deus, pois Ele não pode ser revelado a nós plenamente por causa do pecado, mas isto é apenas temporário pois um dia O veremos como Ele é.

Tomé um dia fez esta mesma pergunta a Cristo, a qual Ele respondeu: "Quem vê a mim vê ao Pai". Jesus é a maior expressão da pessoa de Deus, e ao estudarmos Sua vida e ministério temos um quadro exato de como Deus é (João 14:5-9).

Contudo, o mais importante é acreditar que você é uma pessoa muito especial para Deus; Ele teria mandado Seu Filho a Terra para morrer apenas por você. Na realidade Cristo não veio dar Sua vida pelo planeta, Ele veio ao mundo para salvar pessoas. Quando sofria na cruz, Jesus tinha você em mente, não um mundo a ser conquistado (isto seria uma conseqüência natural).
Talvez Deus esteja precisando de alguém como você  para mostrar às pessoas a arte de amar a Deus e aos homens. Talvez esta seja a sua oportunidade de fazer uma diferença no mundo. Só o amor desperta amor! Não espere que os outros tomem o primeiro passo, ame você. Tudo começa com uma pessoa, seja então você aquela que vai repartir o amor de Deus. Com certeza você será o maior beneficiado, pois nada pode ser mais recompensador do que compartilhar com os outros o amor de Jesus.

Há um vazio em nosso coração que só pode ser preenchido com o amor de Deus. Quando buscamos preenchê-lo com outras coisas sempre saímos machucados. Só o amor de Deus pode lhe trazer equilíbrio emocional e satisfazer toda sua sede por amor e por ser amado. Existe apenas uma maneira de se sentir seguro no amor de Jesus e de crescer em nossa amizade por Ele. Isto só é possível através: a) da leitura da Bíblia; b) da oração; c) e do testemunho cristão.
Estamos orando diariamente por você. Queremos que você saiba que lhe amamos muito e que seus problemas são nossos também, assim como sua alegria é a nossa maior vitória.

Ellen White Era Contra a Bateria Na Música Sacra?

Além da postagem abaixo, compensa verificar também "Música Adventista - Clique Aqui".

Ellen White e a Bateria Na Musica by sales402

Música Contemporânea X Fogo Estranho

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Tambores e Os Instrumentos do Senhor

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Como Fazer Um Ministério de Louvor

Acaba de ser lançado oficialmente pela União Sul Brasileira da IASD, este excelente material, produzido por Fernando Iglesias: Ministério de Louvor, Como Fazer? Um treinamento completo, prático, equilibrado, e sem os extremismos que rondam por aí, na marginalidade da discussão filosófica iasdiana. O mais esclarecedor é a prática oficial e geral da igreja. Portanto, vamos distribuí-lo em massa para aqueles que fazem a música na igreja acontecer.




Um abraço,
Pr. Valdeci Jr.

Leia Também: Música Adventista

O que fazer com a Música na Igreja?

O que fazer com o assunto da música na igreja?

Uma boa resposta vem deste sermão do Pr. Fernando Iglesias: "Unidade No Amor". Clique, assista, e mude o seu jeito de pensar, como Paulo pede em Romanos 12:1-2.

Leia também: "A Bateria e a Inspiração".

Um abraço,

Pr. Valdeci Jr.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Nem Só de Pão Viverá o Homem, Mas...

A frase: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mat. 4:4), foi a defesa de Cristo para vencer a tentação, com base exclusivamente na Bíblia.

Como substituto do homem, Cristo tinha que vencer Satanás com as mesmas armas disponíveis a todo ser humano. Na hora da provação Cristo se valeu da Palavra de Deus, citando Deuteronômio 8:3.

Tem que se levar em consideração, que Cristo teve que aceitar pela fé ser Ele o filho de Deus. Ele não tinha nenhuma lembrança do céu, não havia em seu poder algo físico que pudesse lembrá-lo de Sua divindade, não possuía nenhum poder extra-humano que O diferenciasse dos demais mortais. Cristo teve que aceitar pela fé ser Ele o Filho de Deus. Teve que acreditar na Palavra de Deus (Bíblia), sobre Sua origem e Seu destino eterno.

Caso Cristo soubesse quem Ele era, caso tivesse algo ou algum poder que O lembrasse da Sua divindade, Satanás não teria vindo com a tentação "Se tu és o Filho de Deus..." três vezes. O objetivo do Diabo, era colocar dúvidas na mente de Cristo quanto a Sua missão e Sua natureza.

Caso Satanás tivesse conseguido levar Cristo duvidar dos ensinos da Bíblia, ensinados diligente­mente por sua mãe, caso fizesse duvidar da declaração de João Batista: " Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo", e a declaração do próprio Deus: "Este é o meu Filho amado...", então nosso destino eterno estaria nas mãos de Satanás.

Louvado seja Deus que Cristo não cedeu a tentação nem por um instante. Como Ele venceu? Confiando na Palavra de Deus: "Não só de pão viverá o homem mas de toda palavra que procede da boca de Deus".

Da mesma forma podemos nós vencer hoje. Num mundo confuso por tantas falsas e falhas ideologias, falsos cristos e falsos profetas, nossa única segurança está num "Assim diz o Senhor". Hoje mais do que qualquer outro tempo na história, temos que confiar nas palavras que saem da boca de Deus.

Os homens estão perdidos no seu engano, e com suas palavras levam muitos a perdição. Mas aqueles que confiam na Palavra de Deus jamais serão confundidos nem enganados.

Triste será o fim dos que depositaram sua confiança nas palavras dos homens. Gastaram sua vida servindo um outro "deus" e no juízo se espantarão quando Cristo disser "Não vos conheço" (Mat. 25:31-46). Aqueles que conhecem as palavras que saem da boca de Deus, também conhecem o Autor que escreveu estas palavras. A estes Cristo dirá "Vinde benditos do meu Pai e possui o reino ..."

O que sempre esteve em jogo não foi comer ou não uma fruta (a queda de Adão), guardar ou não os mandamentos. A questão foi, é, e sempre será, confiar ou não em Deus e nas palavras da Sua boca.


Que Deus lhe dê a graça de ser sempre guiado apenas por Sua Palavra.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Apenas Um Verso da Bíblia?

Por que não devemos analisar apenas um verso bíblico?

Quando a Bíblia foi escrita não havia a divisão de capítulos e versículos; por isso quando lemos apenas um verso podemos estar perdendo o real sentido que o autor queria transmitir, pois normalmente o mesmo utiliza-se de vários textos a fim de expressar as revelações de Deus.
Devemos cuidar em analisar o contexto interno e o contexto externo da citação antes de chegar a alguma conclusão doutrinária ou teológica.
Outra dica muito proveitosa é procurarem outros livros da Bíblia todas as referências ao mesmo assunto. Deus não fala uma coisa num lugar e outra noutro. Assim nos certificamos de que estamos entendendo exatamente o pensamento de Deus sobre aquele tema.
Esta é uma recomendação da Palavra de Deus:
            Isaías 28:10: Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali.
Isaías 28:13: Assim, pois, a palavra do SENHOR lhes será preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para trás, e se quebrantem, se enlacem, e sejam presos.

Portanto, não devemos tirar conclusões precipitadas a respeito de nenhum verso bíblico sem primeiro analisar o contexto do parágrafo e também o consenso geral da Bíblia sobre aquele assunto.  Só assim estaremos nos assegurando de que estamos entendendo corretamente o pensamento Bíblico.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Santos na Bíblia

Por que algumas congregações durante o culto não chamam os apóstolos pelo nome de São João, São Pedro, São Paulo, São Lucas...?

Isso ocorre em virtude do significado que a palavra santo tem em nossos dias. Se compararmos o termo ‘santo’ hoje, com a definição bíblica veremos a diferença existente, pois hoje em dia, infelizmente a palavra santo está associada à idolatria. São chamados santos, as pessoas que morreram e foram canonizadas pela igreja católica. Por isso alguns pregadores evangélicos não têm o costume de usar a expressão ‘ santo’, ao referir-se aos apóstolos. Vejamos a definição bíblica:
O Novo Dicionário da Bíblia, diz :
Santo:  “As principais palavras bíblicas para santo são qãdhôsh e qõdhesh, no Antigo Testamento, e hagios, no Novo Testamento, todas as quais são de derivação incerta. Se a origem semântica de qãdhôsh for aceita, talvez venha de uma raiz que expressa ‘separação’; aplicada à consagração de uma pessoa ou coisa para o uso divino, e assim, eventualmente, para o estado do objeto ou pessoa assim consagrados. Hagios no Novo Testamento, é o eqüivalente mais próximo do hebraico qãdhôsh  ( provavelmente vem da mesma origem que hagnos, que significa ‘puro’) e tem o mesmo pensamento fundamental de separação e, por conseguinte, de  consagração  a Deus. Nessas instâncias, santo significa uma relação que envolvia separação do uso comum e consagração a um uso sagrado.”
A Bíblia contém vários exemplos:
“como prometera, desde a antiguidade, por boca dos seus santos profetas Lucas 1:70.
“ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade” Atos 3:21.
“Ananias, porém, respondeu: Senhor, de muitos tenho ouvido a respeito desse homem, quantos males tem feito aos teus santos em JerusalémAtos 9:13.
“A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número.  Passando Pedro por toda parte, desceu também aos santos que habitavam em LidaAtos 9:31-32.
“E assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e contra estes dava o meu voto, quando os matavam” Atos 26:10.
Adicionando essas informações ao seguinte exemplo bíblico, “Assim como nos escolheu, nEle antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele em amor.” Efésios 1:04, concluímos que os discípulos foram realmente homens santos, ou seja separados e consagrados à obra de Cristo, por haverem sido diferentes (separados) do mundo  e não apenas porque operavam milagres, pois os milagres eram um resultado de sua consagração à Deus.
Os justos e os santos, são as pessoas que aceitam a Cristo como seu salvador pessoal e com Ele mantém um relacionamento constante. Em função desta experiência eles são justificados por Cristo, sendo por isso chamados de justos e santos. Logicamente, a declaração de que eles são justos e santos, não quer dizer que são isentos de pecado, mas sim que foram perdoados e estão num processo de santificação.
O termo “santo”, significando “sem pecado”, é somente aplicado a Deus. Não há nenhum homem que não tenha pecado (Romanos 3:10). Portanto, nesse sentido não existem “santos”, mas, apenas homens em processo de santificação.

Na Bíblia, todos os que acreditam em Cristo, nos princípios do Seu Reino e se entregam ao Seu serviço são considerados “santos”, ou separados dos princípios e das práticas que regem o mundo.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Arrependimento de Deus. Deus se Arrepende?

Gostaria de entender Gênesis 6:6 que diz que Deus se arrependeu, à luz de outros versos das Escrituras que dizem que ele não pode se arrepender. Deus é como o homem, para que se arrependa?

Sobre qualquer questionamento teológico, temos que en­tender em primeiro lugar, que todo princípio bíblico tem que ser estudado com base no contex­to geral das Escrituras, respei­tando a época, as circunstâncias e para quem foi escrito originalmente.

Por isto, quando estudamos as Escrituras precisamos ter em mente alguns fatores. O primeiro deles diz respeito ao ambiente cultural, a época e os costumes, daquele profeta ou apóstolo que escreveu o livro. Em segundo temos que analisar esta passagem com o contexto geral da Bíblia.

O leitor da Bíblia ao chegar a passagens como Gênesis 6:6; I Samuel 15:11 e Jonas 3:10 que declaram que Deus se arrependeu e posteriormente confrontá-las com Números 23:19; I Samuel 15:29; Salmo 110:4 e Hebreus 6:17, que afirmam ser impossível que Deus se arrependa, pensará que existe grande contradição na Palavra de Deus quanto ao arrependimento divino.

Nesse estudo temos a finalidade de dissipar dúvidas sobra a veracidade da Palavra inspirada contribuindo para que declarações aparentemente conflitantes sejam esclarecidas. Para alcançarmos este objetivo é necessário pesquisarmos diretamente nas línguas originais em que o Velho e o Novo Testamento foram escritos, porque estas línguas nos fornecem elementos convincentes.

O QUE É ARREPENDIMENTO? De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, "arrependimento é sinônimo de compunção, contrição. Insatisfação causada por violação de lei ou de conduta moral e que resulta na livre aceitação do castigo e na disposição de evitar futuras violações".

Como um termo teológico é o ato de abandonar o pecado, aceitando a graciosa dádiva da salvação de Deus, entrando para um relacionamento pessoal e amigo com Ele. Arrependimento evangélico tem sido definido como mudança de pensamento, que leva a novo modo de agir. Em outras palavras é a revolta consciente e definitiva do homem contra o próprio pecado.

Arrependimento significa tornar-se outra pessoa, "se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos Céus". Mateus 18:3.

Russel Norman Champlin em “O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo”, Vol III, p. 68, assim define:

1) "É um ato divino que transforma o homem, mas que depende da reação positiva do homem, uma vez inspirada pela fé".

2) "É o começo do processo de santificação".
O Novo Dicionário da Bíblia, I Vol. p. 141 o define desta maneira: "Consiste de uma revolução naquilo que é mais determinativo na personalidade humana, sendo o reflexo, na consciência, da radical mudança operada pelo Espírito Santo por ocasião da regeneração".

ARREPENDIMENTO NO VELHO TESTAMENTO: No hebraico são encontrados dois vocábulos para expressar a idéia de arrependimento.

I. Naham. É o arrependimento de Deus e corresponde ao grego Metamélomai. As seguintes passagens bíblicas confirmam a sua existência. Gênesis 6:6 e 7; Êxodo 32:14; Jonas 3:9 e 10.
Deus é imutável em Seu Ser, na Sua perfeição e em Seus propósitos. O arrependimento divino não traz mudança do Seu Ser, do Seu caráter, mas apenas mudança em Sua maneira de tratar com os homens. O arrependimento de Deus é uma referência à alteração que se realiza na Sua relação para com o homem. O exemplo dos ninivitas nos ajuda a compreender o arrependimento de Deus. A cidade não foi destruída porque o povo se arrependeu de suas más obras. Deus mudou o seu tratamento devido à mudança operada no povo. O arrependimento de Deus (naham) foi uma conseqüência do arrependimento do povo (shubh).

Na International Standard Bible Encyclopaedia, vol. IV, p. 2.558 se encontra a seguinte explicação:

"A palavra hebraica naham é um termo onomatopaico, que significa dificuldade em respirar, como gemer, suspirar, e também lamentar, magoar-se, compadecer-se e, quando a emoção é produzida pelo desejo do bem dos outros, chega a significar compaixão e simpatia; quando, porém, se refere ao próprio caráter e atos, significa lastimar, arrepender-se. A fim de adaptar a linguagem à nossa compreensão, Deus é representado como alguém que se arrepende, quando retarda as penalidades que tem de aplicar ou quando o mal a sobrevir é desviado por ter havido uma reforma genuína (Gênesis 6:6; Jonas 3:10)".

II. Shubh - arrependimento do homem.

Este vocábulo hebraico corresponde ao grego metanoéo. Esta palavra significa girar, voltar ou retornar e é aplicada quando a pessoa deixa o pecado e se volta para Deus de todo o coração. Se o pecado etimologicamente significa falhar em atingir o alvo, desviar-se do caminho certo; arrepender-se é retornar ao caminho correto ou total retorno da pessoa a Deus.

ARREPENDIMENTO NO NOVO TESTAMENTO: Assim como há no hebraico duas palavras, uma para expressar o arrependimento divino e outra o humano, existem também em grego duas diferentes palavras para transmitir estes dois tipos de arrependimento.

I. O verbo usado em grego para o arrependimento de Deus é metamélomai, pode ser traduzido por: pesar, sentir tristeza, remorso, mudança de sentimento. Ter cuidado ou preocupação por alguém ou alguma coisa. Etimologicamente significa mudar uma preocupação por outra.

Possuindo Deus caráter e atributos imutáveis Ele é perfeito, logo não pode mudar nem para melhor nem para pior. No entanto a imutabilidade divina não consiste em agir sempre da mesma maneira. Há casos e circunstâncias que podem ser alterados.

A Teologia Sistemática de Strong, p. 124 nos esclarece sobre a imutabilidade de Deus: "Deus, embora imutável, não é imóvel. Se Ele, coerentemente, segue um curso de ação segundo a justiça, Sua atitude precisa ser adaptada a toda mudança moral nos homens”.

A imutável santidade de Deus requer que Ele trate os ímpios diferentemente dos justos. Quando os justos se tornam ímpios, seu tratamento a respeito destes deve mudar. O sol não é volúvel ou parcial porque derrete a cera, enquanto endurece o barro; a mudança não está no sol, mas nos objetos sobre os quais brilha. A mudança no tratamento de Deus para com os homens é descrita antropomorficamente como se ocorressem mudanças no próprio Deus".

II. metanoéo é o verbo usado em grego para o arrependimento do homem. Dicionários e comentários nos informam que significa:

a) uma mudança de mente, de pensamento.

b) Literalmente significa pensar diferentemente.

c) Teologicamente a palavra inclui não somente mudança da mente, mas uma nova direção da vontade, próposito e atitudes.

O verbo metanóeo é usado em o Novo Testamento 32 vezes. O arrependimento inclui três aspectos:

1) O aspecto intelectual, ou seja, o reconhecimento, pelo homem, do erro de sua vida, sua culpa diante de Deus, sua incapacidade para, em suas próprias forças agradar a Deus. Sendo o homem um ser intelectual, Deus somente se agrada em ser adorado por meio de um processo racional.

2) O aspecto emocional - tristeza pelo seu pecado como uma ofensa contra um Deus santo e justo. Os sentimentos não são equivalentes ao arrependimento, mas podem conduzir a um verdadeiro arrependimento, porque o verdadeiro arrependimento não pode provir de um coração frio ou indiferente.

3) O aspecto da vontade ou volitivo - mudança de propósito, resolução íntima contra o pecado e disposição para buscar de Deus o perdão, purificação e poder. Este é o mais importante dos elementos, pois Deus pode apelar à pessoa para se converter, chamá-la ao arrependimento, mas como Deus dotou o homem com o livre arbítrio, somente este pode ou não aceitar o perdão divino; somente o próprio homem pode escolher arrepender-se ou não.

Apesar das ponderações anteriores, o arrependimento, no mais profundo sentido, está além das forças ou do poder humano. Ellen G. White declara em Testemunhos Seletos, Vol. II, p. 94: "O arrependimento, bem como o perdão, são dons de Deus por meio de Cristo". É importante compreender esta verdade fundamental. Não podemos primeiro arrepender-nos para depois ir a Cristo. Devemos ir a ele como estamos e ele irá transformar a nossa vida.

Paulo em Romanos 2:4 nos asseverou com muita objetividade que é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento. O arrependimento é um passo decisivo na vida do cristão, desde que a Bíblia o apresenta como uma das condições para a salvação (Mat. 3: 1 e 2.)

Naqueles dias apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia, e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus ( Mat. 4:17). Daí por diante passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.... “Se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis”. Luc. 13:3

"O arrependimento de Deus não é como o do homem. Aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende; porquanto não é um homem para que se arrependa, (I Samuel 15:29). O arrependimento do homem implica uma mudança de intuitos. O arrependimento de Deus implica uma mudança de circunstâncias e relações. O homem pode mudar sua relação para com Deus, conformando-se com as condições sob as quais pode ser levado ao favor divino; ou pela sua própria ação, colocar-se fora da condição favorável, mas o Senhor é o mesmo, ontem, hoje e eternamente,  Heb. 13:8". Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 700.

DOIS EXEMPLOS DISTINTOS DE ARREPENDIMENTO ENCONTRADOS NA BÍBLIA:

1) O arrependimento de Pedro:  Após a negação do Mestre, quando o olhar compassivo e perdoador de Cristo lhe penetrou na alma, ele se rendeu à influência transformadora do amor. Lucas 22:62 afirma que ele chorou amargamente. Esta é a tristeza que opera o arrependimento que conduz à salvação - II Cor. 7: 9-10. O arrepender-se de Pedro foi metanoéo que modificou toda a sua vida. Ele estava triste por causa do seu pecado. Sua trágica queda por ocasião do julgamento de Cristo, seguida de seu arrependimento e subseqüente reabilitação, aparece como sendo o ponto de conversão de sua vida e caráter. Daí por diante, e com uma única exceção (Gál. 2: 11-13), ele nos é apresentado como nobre apóstolo, com dignidade, coragem, prudência e firmeza de propósito.

2) O arrependimento de Judas: Em Mateus 27:3, se encontra o verbo metamélomai, que em algumas traduções aparece traduzido por arrepender-se, mas o seu arrependimento foi somente no sentido de tristeza, ou remorso pelo seu pecado por causa das suas conseqüências, e não pelo pecado em si, no sentido de mudança de vida, de abandono do pecado, e por ter magoado seu Mestre. Essa tristeza segundo o mundo é a que opera a morte (II Cor. 7:10). Judas não sentiu profundo pesar por haver traído a Cristo, mas tristeza por perceber que seus planos falharam. O verbo metamélomai foi usado porque o seu arrependimento foi apenas mera tristeza, desespero, sem nenhuma mudança da mente (metanóeo). Cristo sabia que o traidor não se arrependera verdadeiramente. O Desejado de Todas as nações, p. 490 confirma esta declaração:
"Até dar esse passo Judas não passara os limites da possibilidade de arrependimento. Mas quando saiu da presença de Seu Senhor e de seus condiscípulos, fora tomada a decisão final. Ultrapassara os termos".


CONCLUSÃO:


A idéia principal na afirmação de que Deus se arrependeu, nada tem a ver com falhas e pecados como acontece com o homem, mas apenas a sua mágoa com o mau procedimento humano e o seu desejo de sustar o curso do mal. Deveríamos sempre ser gratos a Deus, porque no Seu infinito amor, Ele se entristece com o nosso pecado e muda o Seu tratamento quando nos arrependemos de nossas obras más. Deus é imutável, mas a mutabilidade humana faz com que Ele mude o Seu trato para conosco.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Comeback Churches: Igrejas Em Retorno

COMO 300 IGREJAS RETORNARAM AO IDEAL DE DEUS.
E como a sua também pode!

Na quarta seção da obra The Book And The Student[1], o doutor em teologia Otoniel Ferreira apresenta um estudo[2] que mostra reflexões sobre o tempo de vida das igrejas[3]. Como todo organismo vivo, tanto congregações quanto denominações tentem a nascer, crescer, reproduzir-se e, infelizmente, morrer[4]. E os aspectos mortuários em uma igreja que os possui podem ser identificados facilmente[5]. Mas, fatalmente, existem muitas igrejas morrendo sem que seus próprios membros percebam[6]. É possível evitar o estado de EQM (Estado de Quase Morte) eclesiástica, como ensinado por exemplo no livro “Igreja Simples”[7]. Mas depois que uma igreja já entrou em processo de morte, não se trata mais de evitar a morte, mas de retornar à vida. E aí o processo é bem mais complexo, e de menor probabilidade (quase zero) de sucesso. Mas o impossível, com Deus, pode acontecer.

Tive o privilégio de ser aluno do pastor Otoniel, em aulas onde ele nos ensinou que as igrejas morrem a menos que recebam vida extra[8]. E não como num jogo de vídeo-game, Ferreira ensinou a nós alunos sobre como este plus pode acontecer na prática do pastoreio eclesiástico. Ou seja, é possível evitar o inevitável[9]! Mas uma vez que não há como transcrever todas as aulas que tivemos com Ferreira, aqui nesta postagem apresento um resumo da obra de dois autores que usamos na classe, que trabalham o assunto. Na obra cujo título em Português poderia ser “Igrejas Em Retorno”[10], Ed Stetzer e Mike Dodson mostram como 300 igrejas retornaram ao ideal de Deus, e como a sua também pode passar pela mesma experiência.

Em primeiro lugar, estudar as igrejas que retornam é relevante porque as estatísticas são alarmantes. E como estudiosos e executores do assunto, nosso objetivo deve ser ajudar as igrejas a se resconstruírem de sua queda, através de princípios bíblicos e aprendendo com as experiências dos outros. Portanto, o ponto inicial está na pergunta: “Quais são os princípios usados por essas igrejas que retornam, que poderiam ajudar pastores e igrejas em declínio a se revitalizarem?”.

O método de estudos e Stetzer e Dodson foi examinar 324 igrejas que retornaram e que experimentaram renovações e crescimento após um período de declínio. Nestas igrejas, havia aumentado o número de membros e o número de batismos. Neste exame, usaram pesquisas comunitárias e entrevistas por telefone. E os critérios usados para selecionar, de milhares de igrejas, as igrejas que seriam classificadas como igrejas que retornam, para cada uma delas, foram: 1. Se igreja experimentara cinco anos de estagnação ou declínio desde 1995; 2. Se tal período fora seguido por um significante crescimento nos últimos dois a cinco anos; 3. A relação da quantidade de batismos por membros (conversão); 4. E se a igreja tinha pelo menos 10% de aumento na frequência por ano. Assim, selecionaram três dezenas de igrejas que retornaram.

A primeira característica que destacamos de igrejas que retornam é o seu compromisso com as Escrituras. Todas elas respeitavam a autoridade da Palavra de Deus, tinham uma liderança bíblica, davam ênfase na pregação e no ensino, cumpriam fielmente as ordenanças bíblicas e tinham um pacto comunitário voltado para uma missão bíblica. Ou seja, igrejas que retornam são igrejas bíblicas.

Mas não somente isso. Igrejas que retornam não são somente missionárias, mas são também missionais[11]. Elas fazem o que os missionários fazem, a despeito do contexto. E para isso, os membros das igrejas que retornam são preocupados em estudar e aprender idiomas a fim de tornarem-se parte da cultura e proclamarem as boas novas de Cristo (no caso do contexto onde estou atualmente, estariam buscando aprender Italiano, Francês e Crioulo). Nestas igrejas, a presença das mesmas na comunidade parece representar Cristo no sentido da ação, no sentido de contextualizar a vida bíblica e da prática religiosa para a cultura na qual está inserida. Igrejas missionais são encarnacionais, e predispostas a ser cada vez mais nativas, de forma intencional.

As igrejas que retornam também têm características espirituais singulares. Quando estavam declinando, as barreiras que tinham para o crescimento espiritual eram: a) Líderes focados em si mesmos; b) Pessoas experimentando disciplina de Deus; c) Falta de fé radical; d) Preocupação maior com o “fazer” do que com “ser” a igreja; e) Atitude de regar o Evangelho e a Verdade, em lugar de despejá-los; f) Distração do primeiro amor; g) Discipulado ineficiente; h) Ministério irrelevante; e i) Orgulho.

Quanto à administração, enquanto estavam estagnadas eram “Dirty Bakers Dozen Churches”: Igrejas Mal Dirigidas. a) Institucionalizadas; b) De associação voluntária; c) Não-intencionais; d) Exclusivistas (“us four and no more” - “nós e ninguém mais”); e) Desacreditadas (“we can’t compete” - “não podemos competir”); f) Acomodadas (“decently & in order” – “aceitável”); g) Descontextualizadas (“uma peça quadrada em  um buraco redondo”); h) Entrelaçadas; i) Inflexíveis (“my way or the highway” - minha maneira, ou nada feito); j) Com ministério voltado para os membros (capelania); k) Burocráticas (empresa); l) Seguras demais (sem riscos)[12].

Entretanto, mesmo com tantos traços de EQM, tais igrejas retornaram. Como? Em uma igreja que consegue retornar, muitas vezes o líder tem que decidir em um curso de ação: agindo nem que seja silenciosamente (Neemias 2:11-18), por um tempo. Depois deste tempo, é preciso que o restante dos lideres também se tornem em uma liderança proativa e com positividade (1Timóteo 3:1). E na sequência, as pessoas têm que fazer parte do processo de retorno (Atos 6:1-5).

Enfim, crescendo como liderança, os líderes de igrejas que retornam a) Tomam a iniciativa para mudança; b) Desafiam as desculpas; c) Transformam as desvantagens em dez vantagens; d) Oram (Mateus 9:37-38) regularmente e apaixonadamente; e) Observam a colheita (Mateus 9:36-38); f) Modelam a paixão evangelística; g) Compartilham o ministério; h) Escolhem como investir seu tempo; i) Dispensam as tarefas que não são ministeriais; j) Usam seu tempo intencionalmente; k) Comunicam uma visão clara e persuasiva; l) Líderes de igrejas que retornam multiplicam-se; e m) Gastam mais tempo com “pessoas” -  especialmente aqueles que trabalham com eles, em sistema de “coaching”[13].

Nas igrejas que retornam a adoração e a pregação são importantes. Na valorização do culto e da adoração das igrejas que se reconstruíram, foi verificado que 96% dos louvores são celebrativos e acontecem ordenadamente. Se você parar de longe pra ouvi-los cantar e proclamar palavras de adoração, facilmente percebe que, ao ouvir suas vozes, através do exame de seus louvores, pode-se descobrir a paixão por Deus e pela missão de Cristo. Estas igrejas que se reconstituem são totalmente diversas em estilo, mas geralmente são igrejas mais contemporâneas do que tradicionais.

Quanto aos princípios de evangelismo, veja o que os líderes das igrejas que milagrosamente ressuscitaram declararam: “Nossa maior motivação para evangelismo é nosso próprio relacionamento com Deus”; “Vivemos como mensageiros de Deus neste mundo”; “Nos organizamos para o evangelismo usando múltiplos métodos”; “Para ganhar a comunidade é necessário toda a igreja estar envolvida”; Toda a igreja tem que abraçar o mandato (ordem) do evangelismo”; “Criamos no ambiente uma atmosfera em que o planejamento do evangelismo toma o seu lugar espontaneamente”; “Reconhece-se, planeja-se propositalmente portas de entrada para novos membros a Igreja”. Não preciso comentar mais nada.

O que já descrevemos até aqui, tem que ver com fatores que conectam pessoas. Pessoas precisam comunidade; pessoas precisam estabilidade; pessoas precisam comprometimento; pessoas precisam de disciplina. Por isso, se você intenta reanimar os sinais vitais de uma igreja, vocês têm que seguir se conectando através do método de um tipo de Pequeno Grupo, que: a) reconhece e responde pela necessidade bíblica e a unidade da comunidade; b) tem uma estrutura que pode ser aproveitada para identificar e treinar líderes; c) adiciona, substitui e inicia novas classes ou células cognitivo-relacionais, criando mais espaço para se expandir o próprio numero de pequenos grupos; e d) Move-se devagar e deliberadamente, delegando poder aos pequenos grupos e seus líderes.

Observe, na figura ao lado, os três grandes fatores determinantes para que uma igreja junte o que sobrou de suas ruínas e se reconstrua. Este quadro demonstra, em média, a maneira com que cada uma das trezentas igrejas de segunda vida gastava seu tempo. Tradicionalmente, se cronometrarmos (e não se teorizarmos),
gastamos mais tempo com sermões, em seguida menos tempo com ações evangelísticas e por último, uns poucos minutos de joelhos. Nesta quebra de paradigmas, a maior parte do tempo na igreja é gasto com os joelhos no chão. Em segundo lugar, grande parte do tempo é usada em atividades evangelizadoras. E por último, a pregação também ocupa um lugar no tempo, mas em menor quantidade que as outras duas ocupações.

Isto deve nos levar a uma profunda reflexão sobre como estamos fazendo igreja. Voltando a falar do artigo de Ferreira que citei no início do primeiro parágrafo desta postagem, precisamos nos lembrar de que as igrejas são organismos vivos que nascem, crescem, reproduzem-se e morrem, a menos que recebam vida extra, fora do curso normal que as espera! E não como num jogo de vídeo-game, mas na sensibilidade do relacionamento divino, Ferreira ensina como esse plus acontece: Oração! Não somente no discurso, mas na prática. No artigo de Ferreira, “diferentes abordagens de oração são examinadas”, na sugestão de que sem um ministério efetivo em oração e sistematizado pela oração, a igreja fatalmente morre. É sobre como efetivar e sistematizar este tipo de  ministério que Ferreira foca-se, ensinando, na prática, as diferentes atividades de oração que precisam ser aplicadas no tempo em que a igreja acontece[14].

Espero que você já pegue as dicas deste presente resumo de Comeback Churches e aplique em sua igreja, para que ela esteja livre da morte enfim. Mas posteriormente, também pretendo traduzir e postar o capítulo de Ferreira de The Book And The Student aqui na Sala. Continue acompanhando esta[15] e outras postagens, e quando os ensinos sobre a oração de Ferreira também estiverem disponíveis aqui na Sala, aplique-os, também.

Que Deus abençoe a você e sua igreja.

Um abraço cristão no fundo do seu coração,

Pr. Valdeci Jr.




[1] Kuhn, Wagner, editor, The Book And The Student - Theological Education As Mission: A Festschrift Honoring José Carlos Ramos (Berrien Springs, MI: Mission Department, Andrews University. 2012), 346 pages.

[2] Ferreira, Otoniel. Reingniting the Life Cycle of Pleateauing Churches, em Kuhn, Wagner, editor, The Book And The Student - Theological Education As Mission: A Festschrift Honoring José Carlos Ramos (Berrien Springs, MI: Mission Department, Andrews University. 2012), páginas 289-311.

[3] Silva Jr., Valdeci Gomes da. The Book And The Student: O Livro e o Estudante, http://www.nasaladopastor.com/2012/09/the-book-and-student-o-livro-e-o.html

[4] Rainer, S. Thom. Autopsy of a deceased church: 12 ways to keep yours alive (Nashville, Tennessee: B&H Publishing Group, 2014).

[5] Silva Jr., Valdeci Gomes da. Esse Defunto Sou Eu? http://noticias.adventistas.org/pt/coluna/valdeci-junior/esse-defunto-sou-eu/

[6] Rainer, S. Thom. Autopsy of a deceased church: 11 Things I learned.  http://thomrainer.com/2013/04/24/autopsy-of-a-deceased-church-11-things-i-learned/

[7] Rainner, S. Thom & GEIGER; Eric. Igreja simples: retornando ao processo de Deus para fazer discípulos. Brasília, DF: Palavra, 2011.

[8] Ferreira, Otoniel, Análise Multidisciplinar da Cidade., Aulas Para o Mestrado em Missão Urbana em junho de 2013 no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, Campus das Faculdades Adventistas da Bahia.

[9] Rainer, S. Thom, Breakout Churches: Discover How to Make the Leap (Grand Rapids, Michigan, Zondervan , 2005) 259 pages.

[10] Stetzer, Ed & Dodson, Mike, Comeback Churches:How 300 Churches Turned Around And Yours Can Too. (Nashville, Tenesssee, B & H Publishing Company, 2007) 260 páginas.

[11] Veja mais sobre o que é uma igreja missional a partir de Silva Jr., Valdeci Gomes da. http://www.nasaladopastor.com/2013/07/o-que-e-uma-igreja-missional.html.

[12] Ver video “Igreja Bote Salva Vidas” em https://www.youtube.com/watch?v=K5mkCOQ6wrI.

[13] Ferreira explica que “Coaching é uma excelente técnica para ajudar pessoas identificar e desenvolver as qualificações requeridas para uma liderança efetiva, mas em um nível pessoal. Também ajuda a compreender e desenvolver-se através de sua própria e única força”.

[14] Parte deste ensino pode ser encontrada também em FERREIRA, Otoniel de Lima. 21 dias de poder: preparando a igreja para buscar e salvar o perdido. Maringá: Gráfica Regente Ltda, 2012, apontado em Silva Jr., Valdeci Gomes da. http://www.nasaladopastor.com/2013/03/21-dias-de-poder.html

[15] Quando traduzir e postar o artigo de Ferreira, avisarei aqui nos comentários desta postagem.