sexta-feira, 30 de maio de 2014

Santos na Bíblia

Por que algumas congregações durante o culto não chamam os apóstolos pelo nome de São João, São Pedro, São Paulo, São Lucas...?

Isso ocorre em virtude do significado que a palavra santo tem em nossos dias. Se compararmos o termo ‘santo’ hoje, com a definição bíblica veremos a diferença existente, pois hoje em dia, infelizmente a palavra santo está associada à idolatria. São chamados santos, as pessoas que morreram e foram canonizadas pela igreja católica. Por isso alguns pregadores evangélicos não têm o costume de usar a expressão ‘ santo’, ao referir-se aos apóstolos. Vejamos a definição bíblica:
O Novo Dicionário da Bíblia, diz :
Santo:  “As principais palavras bíblicas para santo são qãdhôsh e qõdhesh, no Antigo Testamento, e hagios, no Novo Testamento, todas as quais são de derivação incerta. Se a origem semântica de qãdhôsh for aceita, talvez venha de uma raiz que expressa ‘separação’; aplicada à consagração de uma pessoa ou coisa para o uso divino, e assim, eventualmente, para o estado do objeto ou pessoa assim consagrados. Hagios no Novo Testamento, é o eqüivalente mais próximo do hebraico qãdhôsh  ( provavelmente vem da mesma origem que hagnos, que significa ‘puro’) e tem o mesmo pensamento fundamental de separação e, por conseguinte, de  consagração  a Deus. Nessas instâncias, santo significa uma relação que envolvia separação do uso comum e consagração a um uso sagrado.”
A Bíblia contém vários exemplos:
“como prometera, desde a antiguidade, por boca dos seus santos profetas Lucas 1:70.
“ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade” Atos 3:21.
“Ananias, porém, respondeu: Senhor, de muitos tenho ouvido a respeito desse homem, quantos males tem feito aos teus santos em JerusalémAtos 9:13.
“A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número.  Passando Pedro por toda parte, desceu também aos santos que habitavam em LidaAtos 9:31-32.
“E assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e contra estes dava o meu voto, quando os matavam” Atos 26:10.
Adicionando essas informações ao seguinte exemplo bíblico, “Assim como nos escolheu, nEle antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele em amor.” Efésios 1:04, concluímos que os discípulos foram realmente homens santos, ou seja separados e consagrados à obra de Cristo, por haverem sido diferentes (separados) do mundo  e não apenas porque operavam milagres, pois os milagres eram um resultado de sua consagração à Deus.
Os justos e os santos, são as pessoas que aceitam a Cristo como seu salvador pessoal e com Ele mantém um relacionamento constante. Em função desta experiência eles são justificados por Cristo, sendo por isso chamados de justos e santos. Logicamente, a declaração de que eles são justos e santos, não quer dizer que são isentos de pecado, mas sim que foram perdoados e estão num processo de santificação.
O termo “santo”, significando “sem pecado”, é somente aplicado a Deus. Não há nenhum homem que não tenha pecado (Romanos 3:10). Portanto, nesse sentido não existem “santos”, mas, apenas homens em processo de santificação.

Na Bíblia, todos os que acreditam em Cristo, nos princípios do Seu Reino e se entregam ao Seu serviço são considerados “santos”, ou separados dos princípios e das práticas que regem o mundo.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Arrependimento de Deus. Deus se Arrepende?

Gostaria de entender Gênesis 6:6 que diz que Deus se arrependeu, à luz de outros versos das Escrituras que dizem que ele não pode se arrepender. Deus é como o homem, para que se arrependa?

Sobre qualquer questionamento teológico, temos que en­tender em primeiro lugar, que todo princípio bíblico tem que ser estudado com base no contex­to geral das Escrituras, respei­tando a época, as circunstâncias e para quem foi escrito originalmente.

Por isto, quando estudamos as Escrituras precisamos ter em mente alguns fatores. O primeiro deles diz respeito ao ambiente cultural, a época e os costumes, daquele profeta ou apóstolo que escreveu o livro. Em segundo temos que analisar esta passagem com o contexto geral da Bíblia.

O leitor da Bíblia ao chegar a passagens como Gênesis 6:6; I Samuel 15:11 e Jonas 3:10 que declaram que Deus se arrependeu e posteriormente confrontá-las com Números 23:19; I Samuel 15:29; Salmo 110:4 e Hebreus 6:17, que afirmam ser impossível que Deus se arrependa, pensará que existe grande contradição na Palavra de Deus quanto ao arrependimento divino.

Nesse estudo temos a finalidade de dissipar dúvidas sobra a veracidade da Palavra inspirada contribuindo para que declarações aparentemente conflitantes sejam esclarecidas. Para alcançarmos este objetivo é necessário pesquisarmos diretamente nas línguas originais em que o Velho e o Novo Testamento foram escritos, porque estas línguas nos fornecem elementos convincentes.

O QUE É ARREPENDIMENTO? De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, "arrependimento é sinônimo de compunção, contrição. Insatisfação causada por violação de lei ou de conduta moral e que resulta na livre aceitação do castigo e na disposição de evitar futuras violações".

Como um termo teológico é o ato de abandonar o pecado, aceitando a graciosa dádiva da salvação de Deus, entrando para um relacionamento pessoal e amigo com Ele. Arrependimento evangélico tem sido definido como mudança de pensamento, que leva a novo modo de agir. Em outras palavras é a revolta consciente e definitiva do homem contra o próprio pecado.

Arrependimento significa tornar-se outra pessoa, "se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos Céus". Mateus 18:3.

Russel Norman Champlin em “O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo”, Vol III, p. 68, assim define:

1) "É um ato divino que transforma o homem, mas que depende da reação positiva do homem, uma vez inspirada pela fé".

2) "É o começo do processo de santificação".
O Novo Dicionário da Bíblia, I Vol. p. 141 o define desta maneira: "Consiste de uma revolução naquilo que é mais determinativo na personalidade humana, sendo o reflexo, na consciência, da radical mudança operada pelo Espírito Santo por ocasião da regeneração".

ARREPENDIMENTO NO VELHO TESTAMENTO: No hebraico são encontrados dois vocábulos para expressar a idéia de arrependimento.

I. Naham. É o arrependimento de Deus e corresponde ao grego Metamélomai. As seguintes passagens bíblicas confirmam a sua existência. Gênesis 6:6 e 7; Êxodo 32:14; Jonas 3:9 e 10.
Deus é imutável em Seu Ser, na Sua perfeição e em Seus propósitos. O arrependimento divino não traz mudança do Seu Ser, do Seu caráter, mas apenas mudança em Sua maneira de tratar com os homens. O arrependimento de Deus é uma referência à alteração que se realiza na Sua relação para com o homem. O exemplo dos ninivitas nos ajuda a compreender o arrependimento de Deus. A cidade não foi destruída porque o povo se arrependeu de suas más obras. Deus mudou o seu tratamento devido à mudança operada no povo. O arrependimento de Deus (naham) foi uma conseqüência do arrependimento do povo (shubh).

Na International Standard Bible Encyclopaedia, vol. IV, p. 2.558 se encontra a seguinte explicação:

"A palavra hebraica naham é um termo onomatopaico, que significa dificuldade em respirar, como gemer, suspirar, e também lamentar, magoar-se, compadecer-se e, quando a emoção é produzida pelo desejo do bem dos outros, chega a significar compaixão e simpatia; quando, porém, se refere ao próprio caráter e atos, significa lastimar, arrepender-se. A fim de adaptar a linguagem à nossa compreensão, Deus é representado como alguém que se arrepende, quando retarda as penalidades que tem de aplicar ou quando o mal a sobrevir é desviado por ter havido uma reforma genuína (Gênesis 6:6; Jonas 3:10)".

II. Shubh - arrependimento do homem.

Este vocábulo hebraico corresponde ao grego metanoéo. Esta palavra significa girar, voltar ou retornar e é aplicada quando a pessoa deixa o pecado e se volta para Deus de todo o coração. Se o pecado etimologicamente significa falhar em atingir o alvo, desviar-se do caminho certo; arrepender-se é retornar ao caminho correto ou total retorno da pessoa a Deus.

ARREPENDIMENTO NO NOVO TESTAMENTO: Assim como há no hebraico duas palavras, uma para expressar o arrependimento divino e outra o humano, existem também em grego duas diferentes palavras para transmitir estes dois tipos de arrependimento.

I. O verbo usado em grego para o arrependimento de Deus é metamélomai, pode ser traduzido por: pesar, sentir tristeza, remorso, mudança de sentimento. Ter cuidado ou preocupação por alguém ou alguma coisa. Etimologicamente significa mudar uma preocupação por outra.

Possuindo Deus caráter e atributos imutáveis Ele é perfeito, logo não pode mudar nem para melhor nem para pior. No entanto a imutabilidade divina não consiste em agir sempre da mesma maneira. Há casos e circunstâncias que podem ser alterados.

A Teologia Sistemática de Strong, p. 124 nos esclarece sobre a imutabilidade de Deus: "Deus, embora imutável, não é imóvel. Se Ele, coerentemente, segue um curso de ação segundo a justiça, Sua atitude precisa ser adaptada a toda mudança moral nos homens”.

A imutável santidade de Deus requer que Ele trate os ímpios diferentemente dos justos. Quando os justos se tornam ímpios, seu tratamento a respeito destes deve mudar. O sol não é volúvel ou parcial porque derrete a cera, enquanto endurece o barro; a mudança não está no sol, mas nos objetos sobre os quais brilha. A mudança no tratamento de Deus para com os homens é descrita antropomorficamente como se ocorressem mudanças no próprio Deus".

II. metanoéo é o verbo usado em grego para o arrependimento do homem. Dicionários e comentários nos informam que significa:

a) uma mudança de mente, de pensamento.

b) Literalmente significa pensar diferentemente.

c) Teologicamente a palavra inclui não somente mudança da mente, mas uma nova direção da vontade, próposito e atitudes.

O verbo metanóeo é usado em o Novo Testamento 32 vezes. O arrependimento inclui três aspectos:

1) O aspecto intelectual, ou seja, o reconhecimento, pelo homem, do erro de sua vida, sua culpa diante de Deus, sua incapacidade para, em suas próprias forças agradar a Deus. Sendo o homem um ser intelectual, Deus somente se agrada em ser adorado por meio de um processo racional.

2) O aspecto emocional - tristeza pelo seu pecado como uma ofensa contra um Deus santo e justo. Os sentimentos não são equivalentes ao arrependimento, mas podem conduzir a um verdadeiro arrependimento, porque o verdadeiro arrependimento não pode provir de um coração frio ou indiferente.

3) O aspecto da vontade ou volitivo - mudança de propósito, resolução íntima contra o pecado e disposição para buscar de Deus o perdão, purificação e poder. Este é o mais importante dos elementos, pois Deus pode apelar à pessoa para se converter, chamá-la ao arrependimento, mas como Deus dotou o homem com o livre arbítrio, somente este pode ou não aceitar o perdão divino; somente o próprio homem pode escolher arrepender-se ou não.

Apesar das ponderações anteriores, o arrependimento, no mais profundo sentido, está além das forças ou do poder humano. Ellen G. White declara em Testemunhos Seletos, Vol. II, p. 94: "O arrependimento, bem como o perdão, são dons de Deus por meio de Cristo". É importante compreender esta verdade fundamental. Não podemos primeiro arrepender-nos para depois ir a Cristo. Devemos ir a ele como estamos e ele irá transformar a nossa vida.

Paulo em Romanos 2:4 nos asseverou com muita objetividade que é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento. O arrependimento é um passo decisivo na vida do cristão, desde que a Bíblia o apresenta como uma das condições para a salvação (Mat. 3: 1 e 2.)

Naqueles dias apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia, e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus ( Mat. 4:17). Daí por diante passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.... “Se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis”. Luc. 13:3

"O arrependimento de Deus não é como o do homem. Aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende; porquanto não é um homem para que se arrependa, (I Samuel 15:29). O arrependimento do homem implica uma mudança de intuitos. O arrependimento de Deus implica uma mudança de circunstâncias e relações. O homem pode mudar sua relação para com Deus, conformando-se com as condições sob as quais pode ser levado ao favor divino; ou pela sua própria ação, colocar-se fora da condição favorável, mas o Senhor é o mesmo, ontem, hoje e eternamente,  Heb. 13:8". Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 700.

DOIS EXEMPLOS DISTINTOS DE ARREPENDIMENTO ENCONTRADOS NA BÍBLIA:

1) O arrependimento de Pedro:  Após a negação do Mestre, quando o olhar compassivo e perdoador de Cristo lhe penetrou na alma, ele se rendeu à influência transformadora do amor. Lucas 22:62 afirma que ele chorou amargamente. Esta é a tristeza que opera o arrependimento que conduz à salvação - II Cor. 7: 9-10. O arrepender-se de Pedro foi metanoéo que modificou toda a sua vida. Ele estava triste por causa do seu pecado. Sua trágica queda por ocasião do julgamento de Cristo, seguida de seu arrependimento e subseqüente reabilitação, aparece como sendo o ponto de conversão de sua vida e caráter. Daí por diante, e com uma única exceção (Gál. 2: 11-13), ele nos é apresentado como nobre apóstolo, com dignidade, coragem, prudência e firmeza de propósito.

2) O arrependimento de Judas: Em Mateus 27:3, se encontra o verbo metamélomai, que em algumas traduções aparece traduzido por arrepender-se, mas o seu arrependimento foi somente no sentido de tristeza, ou remorso pelo seu pecado por causa das suas conseqüências, e não pelo pecado em si, no sentido de mudança de vida, de abandono do pecado, e por ter magoado seu Mestre. Essa tristeza segundo o mundo é a que opera a morte (II Cor. 7:10). Judas não sentiu profundo pesar por haver traído a Cristo, mas tristeza por perceber que seus planos falharam. O verbo metamélomai foi usado porque o seu arrependimento foi apenas mera tristeza, desespero, sem nenhuma mudança da mente (metanóeo). Cristo sabia que o traidor não se arrependera verdadeiramente. O Desejado de Todas as nações, p. 490 confirma esta declaração:
"Até dar esse passo Judas não passara os limites da possibilidade de arrependimento. Mas quando saiu da presença de Seu Senhor e de seus condiscípulos, fora tomada a decisão final. Ultrapassara os termos".


CONCLUSÃO:


A idéia principal na afirmação de que Deus se arrependeu, nada tem a ver com falhas e pecados como acontece com o homem, mas apenas a sua mágoa com o mau procedimento humano e o seu desejo de sustar o curso do mal. Deveríamos sempre ser gratos a Deus, porque no Seu infinito amor, Ele se entristece com o nosso pecado e muda o Seu tratamento quando nos arrependemos de nossas obras más. Deus é imutável, mas a mutabilidade humana faz com que Ele mude o Seu trato para conosco.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Comeback Churches: Igrejas Em Retorno

COMO 300 IGREJAS RETORNARAM AO IDEAL DE DEUS.
E como a sua também pode!

Na quarta seção da obra The Book And The Student[1], o doutor em teologia Otoniel Ferreira apresenta um estudo[2] que mostra reflexões sobre o tempo de vida das igrejas[3]. Como todo organismo vivo, tanto congregações quanto denominações tentem a nascer, crescer, reproduzir-se e, infelizmente, morrer[4]. E os aspectos mortuários em uma igreja que os possui podem ser identificados facilmente[5]. Mas, fatalmente, existem muitas igrejas morrendo sem que seus próprios membros percebam[6]. É possível evitar o estado de EQM (Estado de Quase Morte) eclesiástica, como ensinado por exemplo no livro “Igreja Simples”[7]. Mas depois que uma igreja já entrou em processo de morte, não se trata mais de evitar a morte, mas de retornar à vida. E aí o processo é bem mais complexo, e de menor probabilidade (quase zero) de sucesso. Mas o impossível, com Deus, pode acontecer.

Tive o privilégio de ser aluno do pastor Otoniel, em aulas onde ele nos ensinou que as igrejas morrem a menos que recebam vida extra[8]. E não como num jogo de vídeo-game, Ferreira ensinou a nós alunos sobre como este plus pode acontecer na prática do pastoreio eclesiástico. Ou seja, é possível evitar o inevitável[9]! Mas uma vez que não há como transcrever todas as aulas que tivemos com Ferreira, aqui nesta postagem apresento um resumo da obra de dois autores que usamos na classe, que trabalham o assunto. Na obra cujo título em Português poderia ser “Igrejas Em Retorno”[10], Ed Stetzer e Mike Dodson mostram como 300 igrejas retornaram ao ideal de Deus, e como a sua também pode passar pela mesma experiência.

Em primeiro lugar, estudar as igrejas que retornam é relevante porque as estatísticas são alarmantes. E como estudiosos e executores do assunto, nosso objetivo deve ser ajudar as igrejas a se resconstruírem de sua queda, através de princípios bíblicos e aprendendo com as experiências dos outros. Portanto, o ponto inicial está na pergunta: “Quais são os princípios usados por essas igrejas que retornam, que poderiam ajudar pastores e igrejas em declínio a se revitalizarem?”.

O método de estudos e Stetzer e Dodson foi examinar 324 igrejas que retornaram e que experimentaram renovações e crescimento após um período de declínio. Nestas igrejas, havia aumentado o número de membros e o número de batismos. Neste exame, usaram pesquisas comunitárias e entrevistas por telefone. E os critérios usados para selecionar, de milhares de igrejas, as igrejas que seriam classificadas como igrejas que retornam, para cada uma delas, foram: 1. Se igreja experimentara cinco anos de estagnação ou declínio desde 1995; 2. Se tal período fora seguido por um significante crescimento nos últimos dois a cinco anos; 3. A relação da quantidade de batismos por membros (conversão); 4. E se a igreja tinha pelo menos 10% de aumento na frequência por ano. Assim, selecionaram três dezenas de igrejas que retornaram.

A primeira característica que destacamos de igrejas que retornam é o seu compromisso com as Escrituras. Todas elas respeitavam a autoridade da Palavra de Deus, tinham uma liderança bíblica, davam ênfase na pregação e no ensino, cumpriam fielmente as ordenanças bíblicas e tinham um pacto comunitário voltado para uma missão bíblica. Ou seja, igrejas que retornam são igrejas bíblicas.

Mas não somente isso. Igrejas que retornam não são somente missionárias, mas são também missionais[11]. Elas fazem o que os missionários fazem, a despeito do contexto. E para isso, os membros das igrejas que retornam são preocupados em estudar e aprender idiomas a fim de tornarem-se parte da cultura e proclamarem as boas novas de Cristo (no caso do contexto onde estou atualmente, estariam buscando aprender Italiano, Francês e Crioulo). Nestas igrejas, a presença das mesmas na comunidade parece representar Cristo no sentido da ação, no sentido de contextualizar a vida bíblica e da prática religiosa para a cultura na qual está inserida. Igrejas missionais são encarnacionais, e predispostas a ser cada vez mais nativas, de forma intencional.

As igrejas que retornam também têm características espirituais singulares. Quando estavam declinando, as barreiras que tinham para o crescimento espiritual eram: a) Líderes focados em si mesmos; b) Pessoas experimentando disciplina de Deus; c) Falta de fé radical; d) Preocupação maior com o “fazer” do que com “ser” a igreja; e) Atitude de regar o Evangelho e a Verdade, em lugar de despejá-los; f) Distração do primeiro amor; g) Discipulado ineficiente; h) Ministério irrelevante; e i) Orgulho.

Quanto à administração, enquanto estavam estagnadas eram “Dirty Bakers Dozen Churches”: Igrejas Mal Dirigidas. a) Institucionalizadas; b) De associação voluntária; c) Não-intencionais; d) Exclusivistas (“us four and no more” - “nós e ninguém mais”); e) Desacreditadas (“we can’t compete” - “não podemos competir”); f) Acomodadas (“decently & in order” – “aceitável”); g) Descontextualizadas (“uma peça quadrada em  um buraco redondo”); h) Entrelaçadas; i) Inflexíveis (“my way or the highway” - minha maneira, ou nada feito); j) Com ministério voltado para os membros (capelania); k) Burocráticas (empresa); l) Seguras demais (sem riscos)[12].

Entretanto, mesmo com tantos traços de EQM, tais igrejas retornaram. Como? Em uma igreja que consegue retornar, muitas vezes o líder tem que decidir em um curso de ação: agindo nem que seja silenciosamente (Neemias 2:11-18), por um tempo. Depois deste tempo, é preciso que o restante dos lideres também se tornem em uma liderança proativa e com positividade (1Timóteo 3:1). E na sequência, as pessoas têm que fazer parte do processo de retorno (Atos 6:1-5).

Enfim, crescendo como liderança, os líderes de igrejas que retornam a) Tomam a iniciativa para mudança; b) Desafiam as desculpas; c) Transformam as desvantagens em dez vantagens; d) Oram (Mateus 9:37-38) regularmente e apaixonadamente; e) Observam a colheita (Mateus 9:36-38); f) Modelam a paixão evangelística; g) Compartilham o ministério; h) Escolhem como investir seu tempo; i) Dispensam as tarefas que não são ministeriais; j) Usam seu tempo intencionalmente; k) Comunicam uma visão clara e persuasiva; l) Líderes de igrejas que retornam multiplicam-se; e m) Gastam mais tempo com “pessoas” -  especialmente aqueles que trabalham com eles, em sistema de “coaching”[13].

Nas igrejas que retornam a adoração e a pregação são importantes. Na valorização do culto e da adoração das igrejas que se reconstruíram, foi verificado que 96% dos louvores são celebrativos e acontecem ordenadamente. Se você parar de longe pra ouvi-los cantar e proclamar palavras de adoração, facilmente percebe que, ao ouvir suas vozes, através do exame de seus louvores, pode-se descobrir a paixão por Deus e pela missão de Cristo. Estas igrejas que se reconstituem são totalmente diversas em estilo, mas geralmente são igrejas mais contemporâneas do que tradicionais.

Quanto aos princípios de evangelismo, veja o que os líderes das igrejas que milagrosamente ressuscitaram declararam: “Nossa maior motivação para evangelismo é nosso próprio relacionamento com Deus”; “Vivemos como mensageiros de Deus neste mundo”; “Nos organizamos para o evangelismo usando múltiplos métodos”; “Para ganhar a comunidade é necessário toda a igreja estar envolvida”; Toda a igreja tem que abraçar o mandato (ordem) do evangelismo”; “Criamos no ambiente uma atmosfera em que o planejamento do evangelismo toma o seu lugar espontaneamente”; “Reconhece-se, planeja-se propositalmente portas de entrada para novos membros a Igreja”. Não preciso comentar mais nada.

O que já descrevemos até aqui, tem que ver com fatores que conectam pessoas. Pessoas precisam comunidade; pessoas precisam estabilidade; pessoas precisam comprometimento; pessoas precisam de disciplina. Por isso, se você intenta reanimar os sinais vitais de uma igreja, vocês têm que seguir se conectando através do método de um tipo de Pequeno Grupo, que: a) reconhece e responde pela necessidade bíblica e a unidade da comunidade; b) tem uma estrutura que pode ser aproveitada para identificar e treinar líderes; c) adiciona, substitui e inicia novas classes ou células cognitivo-relacionais, criando mais espaço para se expandir o próprio numero de pequenos grupos; e d) Move-se devagar e deliberadamente, delegando poder aos pequenos grupos e seus líderes.

Observe, na figura ao lado, os três grandes fatores determinantes para que uma igreja junte o que sobrou de suas ruínas e se reconstrua. Este quadro demonstra, em média, a maneira com que cada uma das trezentas igrejas de segunda vida gastava seu tempo. Tradicionalmente, se cronometrarmos (e não se teorizarmos),
gastamos mais tempo com sermões, em seguida menos tempo com ações evangelísticas e por último, uns poucos minutos de joelhos. Nesta quebra de paradigmas, a maior parte do tempo na igreja é gasto com os joelhos no chão. Em segundo lugar, grande parte do tempo é usada em atividades evangelizadoras. E por último, a pregação também ocupa um lugar no tempo, mas em menor quantidade que as outras duas ocupações.

Isto deve nos levar a uma profunda reflexão sobre como estamos fazendo igreja. Voltando a falar do artigo de Ferreira que citei no início do primeiro parágrafo desta postagem, precisamos nos lembrar de que as igrejas são organismos vivos que nascem, crescem, reproduzem-se e morrem, a menos que recebam vida extra, fora do curso normal que as espera! E não como num jogo de vídeo-game, mas na sensibilidade do relacionamento divino, Ferreira ensina como esse plus acontece: Oração! Não somente no discurso, mas na prática. No artigo de Ferreira, “diferentes abordagens de oração são examinadas”, na sugestão de que sem um ministério efetivo em oração e sistematizado pela oração, a igreja fatalmente morre. É sobre como efetivar e sistematizar este tipo de  ministério que Ferreira foca-se, ensinando, na prática, as diferentes atividades de oração que precisam ser aplicadas no tempo em que a igreja acontece[14].

Espero que você já pegue as dicas deste presente resumo de Comeback Churches e aplique em sua igreja, para que ela esteja livre da morte enfim. Mas posteriormente, também pretendo traduzir e postar o capítulo de Ferreira de The Book And The Student aqui na Sala. Continue acompanhando esta[15] e outras postagens, e quando os ensinos sobre a oração de Ferreira também estiverem disponíveis aqui na Sala, aplique-os, também.

Que Deus abençoe a você e sua igreja.

Um abraço cristão no fundo do seu coração,

Pr. Valdeci Jr.




[1] Kuhn, Wagner, editor, The Book And The Student - Theological Education As Mission: A Festschrift Honoring José Carlos Ramos (Berrien Springs, MI: Mission Department, Andrews University. 2012), 346 pages.

[2] Ferreira, Otoniel. Reingniting the Life Cycle of Pleateauing Churches, em Kuhn, Wagner, editor, The Book And The Student - Theological Education As Mission: A Festschrift Honoring José Carlos Ramos (Berrien Springs, MI: Mission Department, Andrews University. 2012), páginas 289-311.

[3] Silva Jr., Valdeci Gomes da. The Book And The Student: O Livro e o Estudante, http://www.nasaladopastor.com/2012/09/the-book-and-student-o-livro-e-o.html

[4] Rainer, S. Thom. Autopsy of a deceased church: 12 ways to keep yours alive (Nashville, Tennessee: B&H Publishing Group, 2014).

[5] Silva Jr., Valdeci Gomes da. Esse Defunto Sou Eu? http://noticias.adventistas.org/pt/coluna/valdeci-junior/esse-defunto-sou-eu/

[6] Rainer, S. Thom. Autopsy of a deceased church: 11 Things I learned.  http://thomrainer.com/2013/04/24/autopsy-of-a-deceased-church-11-things-i-learned/

[7] Rainner, S. Thom & GEIGER; Eric. Igreja simples: retornando ao processo de Deus para fazer discípulos. Brasília, DF: Palavra, 2011.

[8] Ferreira, Otoniel, Análise Multidisciplinar da Cidade., Aulas Para o Mestrado em Missão Urbana em junho de 2013 no Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, Campus das Faculdades Adventistas da Bahia.

[9] Rainer, S. Thom, Breakout Churches: Discover How to Make the Leap (Grand Rapids, Michigan, Zondervan , 2005) 259 pages.

[10] Stetzer, Ed & Dodson, Mike, Comeback Churches:How 300 Churches Turned Around And Yours Can Too. (Nashville, Tenesssee, B & H Publishing Company, 2007) 260 páginas.

[11] Veja mais sobre o que é uma igreja missional a partir de Silva Jr., Valdeci Gomes da. http://www.nasaladopastor.com/2013/07/o-que-e-uma-igreja-missional.html.

[12] Ver video “Igreja Bote Salva Vidas” em https://www.youtube.com/watch?v=K5mkCOQ6wrI.

[13] Ferreira explica que “Coaching é uma excelente técnica para ajudar pessoas identificar e desenvolver as qualificações requeridas para uma liderança efetiva, mas em um nível pessoal. Também ajuda a compreender e desenvolver-se através de sua própria e única força”.

[14] Parte deste ensino pode ser encontrada também em FERREIRA, Otoniel de Lima. 21 dias de poder: preparando a igreja para buscar e salvar o perdido. Maringá: Gráfica Regente Ltda, 2012, apontado em Silva Jr., Valdeci Gomes da. http://www.nasaladopastor.com/2013/03/21-dias-de-poder.html

[15] Quando traduzir e postar o artigo de Ferreira, avisarei aqui nos comentários desta postagem.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O templo substituiu o santuário? E hoje? A Igreja é o Templo?

Realmente, o tabernáculo no deserto foi substituído pelo templo de Salomão; este pelo de Zorobabel, que por sua vez foi substituído pelo de Herodes.

Jesus profetizou de que não ficaria pedra sobre pedra do templo dos seus dias (reconstruído por Herodes) (S. Mateus 24:1,2). No ano 70 se cumpriu a profecia. Por isso hoje o templo do povo de Israel não pode mais ser encontrado.

“Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo.  Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada”. Mateus 24:1-2.

            Mas no plano de Deus hoje, não temos mais aquele templo judaico, tampouco seus rituais. Em lugar algum a Bíblia transcreve uma necessária transposição das ordenanças litúrgicas do templo judaico para as assembleias dos cristãos. Diferente dos mandamentos e da graça que são eternos, as dimensões, liturgia, ordenanças e rituais do templo eram temporários para ilustrar o Messias que viria. Cristo veio, Aleluia!

Hoje, é claro, devemos continuar congregando (Hebreus 10:25), com o mesmo propósito dos que viveram antes de Cristo, que é adorar a Deus. Mas com procedimentos didáticos diferentes, pois acreditamos que o Prometido já cumpriu Sua primeira vinda. Agora, aguardamos a segunda vinda! Amém? Portanto, mais importante do que o templo para as reuniões públicas, é nós nos entregarmos a Deus como templos vivos em adoração e serviço ao Senhor. Deus deseja morar em nós, templos vivos.

“Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?  Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado.”1 Coríntios 3:16-17.

O Apocalipse relata que um dia todos os filhos de Deus reunir-se-ão para adorá-Lo no Céu, mais especificamente, na Nova Jerusalém, lugar em que será a habitação de Deus (Apocalipse 21:3). E sobre esta Santa Capital, o profeta João relatou de sua visão: “Não vi templo algum na cidade, pois o Senhor Deus todo-poderoso e o Cordeiro são o seu templo” (verso 22).

Que Deus habite em você hoje, e que naquele dia você esteja diante do próprio Senhor, pela eternidade.



sexta-feira, 16 de maio de 2014

Por Que Algumas Igrejas Atraem Mais Que Outras?

Você pergunta o porquê de algumas igrejas atraírem mais pessoas para o seu convívio do que outras.

Deus nos deu o livre arbítrio para que assim pudéssemos optar em qual caminho desejamos andar. Algumas pessoas são atraídas pela comodidade que algumas religiões oferecem e acabam negligenciando as leis de Deus; outros são atraídos mais pela amizade.

Mesmo que a amizade seja um fator muito importante, não devemos fazer dela um requisito a fim de escolhermos uma igreja. A prova de que uma igreja é verdadeira ou não está em fazer a vontade de Deus expressa em seus mandamentos. Diz Jesus:

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.  Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?  Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”. (Mateus 7:21-23 RA).

A igreja que está totalmente em harmonia com a Palavra de Deus pode ser facilmente identificada:

“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus”. (Apocalipse 14:12 RA).

Esta igreja tem 2 principais características:

1)      Guarda os mandamentos de Deus; (leia-os em Êxodo 20)
2)      Tem o testemunho de Jesus (todos os profetas e inclusive do dom profético nos últimos dias – ver Ap 19:10, última parte).

A igreja que tiver estas duas principais características é a verdadeira.


Ore a Deus a fim de que lhe mostre qual seja esta igreja; você será ricamente abençoado.

Bateria e Instrumentos de Percussão na Igreja

A percussão era usada no templo do Antigo Testamento? A Bíblia e o Espírito de Profecia proíbem o uso de percussão? Qual a posição oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia a respeito da bateria?

Definição - A bateria pode ser definida como “os instrumentos de percussão de uma banda de música ou de uma orquestra” ( Dicionário Brasileiro Globo, 50ª. ed. ). Em outras palavras, bateria ou percussão se referem aos vários instrumentos que marcam o ritmo ou andamento musical, com timbres, tons e formas variadas. Uma bateria pode ser muito bem ilustrada pelos instrumentos de uma fanfarra. Exemplos de instrumentos de percussão: bumbo, caixa, pratos (címbalo), etc.
A Bateria no Templo do Antigo Testamento - Em II Crônicas 29:25 (ver também I Crônicas 25) temos a seguinte descrição dos instrumentos do templo: “Também estabeleceu os levitas na Casa do Senhor com címbalos, alaúdes e harpas, segundo o mandado de Davi...” Alaúde e harpa são instrumentos de corda, todavia, címbalo é um instrumento de percussão, segundo o Dicionário Bíblico Adventista, pág. 254 . Note a descrição deste instrumento: “Dois tipos de címbalos têm sido achados pelos arqueólogos. Um destes tipos consiste em dois pratos achatados, feitos de metal, que eram batidos um no outro de forma ritmada; o outro tipo consiste em duas espécies de conchas, batida uma na outra” (R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, vol. 4. Pág.426). Hoje os címbalos são usados na bateria convencional como ximbal (pratos sobrepostos) e pratos de vários timbres e formas. No Salmo 150, temos o convite ao louvor e adoração a Deus com vários tipos de instrumentos: “Louvai-O ao som da trombeta; louvai-O com saltério e com harpa. Louvai-O com adufes e danças; louvai-O com instrumentos de cordas e com flautas. Louvai-O com címbalos sonoros; louvai-O com címbalos retumbantes” (versos 3 a 5). Podemos concluir que havia instrumentos de percussão que eram usados na música do templo, escolhido por orientação divina para o louvor e adoração. Como notamos a Bíblia não proíbe o uso de bateria, pois no templo, havia instrumentos de percussão..
Nos escritos de Ellen White - Sobre instrumentos musicais, E. G. White, inspirada por Deus, escreveu: “Nas reuniões realizadas, escolha-se um grupo de pessoas para tomar parte no serviço de canto. E seja este acompanhado por instrumentos de música habilmente tocados. Não devemos opor ao uso de instrumentos musicais em nossa obra. Esta parte do serviço deve ser cuidadosamente dirigida; pois é o louvor de Deus em cântico” ( Testimonies, vol. 9, págs. 143 e 144; citado no Manual da Igreja, edição revisada em 2000, pág. 72). Uma vez que não há nenhum texto no Espírito de Profecia que condene o uso de bateria ou percussão como instrumento a ser usado no louvor (ou qualquer outro instrumento) pode-se afirmar o seguinte: a ênfase não é qual o instrumento a ser usado, mas como ele é usado. A recomendação é ser habilmente tocado, e é claro, nos princípios bíblicos. O Espírito de Profecia nos fornece ampla informação concernente à música de louvor e adoração, com princípios inspirados tanto para o canto como para o tipo de música a ser ouvida e executada, mas não proíbe o uso de percussão.
 Posição da IASD - A Igreja Adventista, para os que consideram a igreja remanescente, é dirigida por Deus, não por homens. É a igreja militante que vai vencer na graça de Jesus. O Espírito de Profecia nos revela qual deve ser nossa atitude em relação à organização da nossa igreja: “Mas quando numa assembléia geral, é exercido o juízo dos irmãos reunidos de todas as partes do campo, independência e juízo particulares não devem ser mantidos, mas renunciados. Nunca deve um obreiro considerar virtude a persistente conservação de sua atitude de independência, contrariamente à decisão do corpo geral. Deus ordenou que os representantes de Sua igreja de todas as partes da Terra, quando reunidos numa Associação Geral, devam ter autoridade” ( Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 408). Sendo assim, qual é a posição oficial da igreja resolvida em Associação Geral ? A resposta está em um documento que foi publicado na Revista Adventista, agosto de 2005, págs. 12 a 16. Neste documento temos os princípios bíblicos e do Espírito de Profecia resumidos e bem explicados. Sobre o uso de bateria, depois de estudá-lo, podemos concluir o seguinte: a igreja não proíbe seu uso, mas devemos ter cuidado ao usá-la, para que não tome o lugar da mensagem. A melodia deve estar em maior evidência do que o acompanhamento, para que a letra da música possa ser claramente compreendida e a mensagem propagada. Isso vale para todos os demais instrumentos musicais de acompanhamento.
Cuidado com as Críticas - Deus não nos colocou como juiz dos nossos irmãos, por isso devemos ter cuidado ao condená-los pelo uso de esse ou aquele instrumento. Não devemos abrir mão dos princípios bíblicos e do Espírito de Profecia a respeito da música, mas devemos respeitar os diferentes gostos e elementos culturais. Nossa igreja tem órgãos oficiais que divulgam a música, como a Voz da Profecia. Quando criticamos estes órgãos, estamos lutando contra nossa própria obra. Cabe a Deus o direito de julgar, e o nosso de respeitar a igreja e seus líderes. É muito mais fácil deixar a responsabilidade para a instituição da igreja do que tentar levá-la sobre si. A igreja respeita suas convicções pessoais e gostos, por isso, respeite a igreja de Deus. Naquilo que ela ou seus líderes errarem, Deus fará Seu juízo.
Conclusão - Havia instrumentos de percussão ou bateria entre os instrumentos escolhidos para o templo do Antigo Testamento, mostrando que Deus não se opunha ao seu uso no serviço de adoração e louvor. A Bíblia e o Espírito de Profecia não proíbem o uso de instrumentos de percussão, mas recomenda princípios em que eles devam ser usados e executados. A posição oficial da igreja é o uso equilibrado e cuidadoso de todos os instrumentos (incluindo a bateria), seguindo os princípios inspirados, mas não proíbe o uso de nenhum deles. Como cristãos devemos ser cuidadosos tanto ao escolher nossa música para louvor, adoração e outros fins, e também para não sermos críticos e emitir condenação deliberadamente, mas respeitar nossa igreja e suas recomendações.


Escrito por:
Pr. Yuri Ravem
Postado em:
http://www.advir.com.br/sermoes/sermoes_c_usodabateria.asp
Adaptado para uso da Escola Bíblica da Novo Tempo

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Apocalipse 12

Apocalipse 12 retrata o grande conflito entre o bem e o mal em sua relação com os seguidores de Deus na terra. É um drama em quatro atos: a origem do pecado e o início do conflito no céu; os ataques de Satanás a Cristo, quando ele viveu entre os homens; a perseguição à igreja nos séculos subseqüentes; e a guerra final contra o Remanescente.
O conflito entre o bem e o mal tem raízes cósmicas. O conflito não se originou na Terra, e nem jamais se limitou somente a este mundo. O âmago do conflito reflete a fúria do dragão contra Cristo e sua queda definitiva no evento máximo que foi a cruz. (v. 10 a 12). O evento da crucifixão de Cristo é o centro do centro de toda a estrutura apocalíptica. Cristo e sua cruz oferecem certeza da vitória (v. 11).

1. Um paralelo com Gênesis 3:15

Gênesis 3:15                           Apocalipse 12
A mulher                                A mulher (a igreja) - v.1
O descendente                       Cristo (Miguel) - v. 5 e 17
(descendentes)                                   (O Remanescente)
A serpente                              O dragão (a serpente) - v. 9

2. A mulher vestida de sol Uma referência à igreja em contraste com a prostituta de Apocalipse 17 (Jeremias 6:2, II Cor. 11:2; Apocalipse 19:7 e 8; 17:15; Ezequiel 16:26-29, Isaías 50:1).

a) O sol representando a Cristo (João 8:12).

b) A lua, que reflete a glória do sol, representando as Escrituras (II Pedro 1:21).

c) A coroa de doze estrelas representando a vitória eterna concedida ao povo de Deus (João 3:36; I João 5:4), o número 12 apontando para o reino de Deus em sua totalidade, o fiel povo do Senhor.

3. O dragão vermelho.
No sentido primário é o próprio Satanás que tentou matar o filho da mulher (Cristo) - v. 4 e 9. No sentido secundário, o dragão representa os poderes terrestres usados por Satanás para combater a Cristo, Sua verdade e Seu povo.
Parece razoável concluir que as sete cabeças representam poderes políticos que têm defendido a causa do dragão - poderes mundiais em sucessão e que os chifres representam poderes que existem simultaneamente. Devido a obvia relação que existe entre Apocalipse 12, 13 e 17 e Daniel 2 e 7, podemos dizer que os dez chifres representam as partes em que finalmente foi dividido o Império Romano. Essas partes tornam-se Estados soberanos que no fim dos tempos desempenham importante papel em apoiar Babilônia antítipa.


4. A expulsão do Dragão.
Precisamos compreendemos claramente as duas ocasiões em que Satanás foi expulso:
a) Antes da criação do mundo - a origem do conflito ocorreu no céu (v. 7). Lúcifer (Satanás) instigou e enganou a terça parte dos anjos contra Deus (v. 4 e 7). Houve, então, guerra no céu, mas Miguel (Cristo) e seus anjos venceram o dragão e os seus anjos. O foco, entretanto, aponta para outra direção: a derrota na cruz.
b) Quando Cristo o derrotou na cruz - A cruz significou a condenação de Satanás. Ficaram "rotos os derradeiros laços de simpatia entre Satanás e o mundo celestial". (D.N, 731).
A expulsão inicial (no céu) foi apenas física. A expulsão moral foi efetuada na cruz. Note as evidências de que a expulsão, do cap. 12, foi realizada na cruz:
1) Nos versos 9 e 10 é declarado que Satanás foi expulso. Jesus disse que Sua morte faria com que Satanás fosse expulso (João 12:31 -33).
2) A ênfase da palavra "agora" (grego: arti - "agora mesmo"). Agora veio a salvação (v. 10). Note também a ênfase de Jesus em S. João 12:31: "agora", "agora". Esta certeza só foi alcançada na cruz. Observe que até a cruz Satanás tinha acesso aos anjos do céu (Jó 1:6; 2:1).
3) O verso 10 declara que foi lançado (expulso) por terra o acusador que "os acusava de dia e de noite". Obviamente ele já era nosso acusador quando foi expulso, o que nos dá a entender que a expulsão aqui mencionada não é a expulsão original dos céus.
4) Finalmente a expressão "Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro" (v. 11) aponta claramente para a cruz.

5. Os 1260 dias-anos.
Corresponde ao tempo em que a igreja foi perseguida. A declaração de que a "terra abriu a boca" para socorrer a mulher aponta para os fieis filhos de Deus que conseguiram encontrar refúgio em lugares quase inacessíveis e finalmente em o novo mundo, onde encontraram a liberdade de culto e a libertação das falsas doutrinas (as águas como um rio - v .15). Outros vêem, ainda, na "terra" uma referência aos Estados protestantes da Europa e o próprio movimento da Reforma do século XVI, que abrigou os crentes fiéis. O período de perseguição: 538-1798 AD. Estes são os que “venceram pelo sangue do cordeiro” (verso 11).

6. A investida contra o Remanescente (v. 17).
O Antigo Testamento é a fonte do termo Remanescente (Loipoi), os restantes fiéis de Israel, em qualquer época de sua história, são chamados de Remanescentes.
A identificação do Remanescente aqui é alcançada por meio de seis indicações:
a) Fator tempo - Esta última etapa da igreja ocorreu após 1798, isto é, depois dos 1260 anos de isolamento no "deserto".
b) Harmonia com a Bíblia - Eles estão de acordo com a fé apostólica, com a Bíblica como regra de fé.
c) Os dez mandamentos - O remanescente enaltece a lei moral de Deus - os dez mandamentos.
d) O dom de profecia - O "testemunho de Jesus" (v. 17) é identificado com o "espírito de profecia" (19:10).
e) É razoável supor que é esse remanescente que pregará as três mensagens de advertências finais, antes que se feche a porta da graça (14:6-12 - onde o remanescente também é indicado).
f) A missão mundial - A declaração "importa que profetizes" (cap. 10:11) refere-se ao objetivo de promulgação das mensagens angélicas a cada "tribo, língua, nação, povo" (14:6 e 7).

É privilégio de cada pesquisador da Bíblia e seguidor de Jesus colocar sua vida em harmonia com as especificações do remanescente a fim de poder ser usado por Deus para o Seu serviço nos dias finais da história antes do retorno de Cristo a este mundo.