terça-feira, 8 de setembro de 2015

Em Administração, Uma Lei. De Deus, Um Princípio.

Sou administrador, também, além de pastor. E ao administrar, gosto de me esforçar na aventura de delegar aos meus liderados, tudo o que for possível.  Para que eu me acomode? Não! Delegar dá muito trabalho. Desde muito cedo, a vida me colocou como líder. A comunidade da qual participei em minha pré-adolescência carecia de ajuda, e meus pais me ensinaram a não me acomodar. Eles davam o exemplo. Pelas crises financeiras que o país atravessava, eles mesmos se viram obrigados a serem autônomos. E o autônomo tem que liderar. Ainda menor, assumi a direção de um clube de Desbravadores. E, das tantas coisas que já liderei, porque destaco os Desbravadores?  É porque é a melhor escola de liderança que já conheci em toda a minha vida. Só quem foi desbravador na idade certa, fazendo classe por classe, consegue entender plenamente isso.

Mas qualquer um é capaz de entender uma lei da administração. Foi no começo da década de 90, mas lembro-me como se fosse hoje. Estávamos em um acampamento em Goiânia, num (dos tantos) curso de liderança, e o instrutor (Acílio Alves, um dos maiores administradores que temos) repetia: "Líder não é o que faz; líder é o que faz fazerem". Aquilo ficou gravado para sempre na minha mente. É a tecla na qual Russell Burrill insiste. Mas Burrill coloca delegar faz medo. A maioria dos líderes têm medo de delegar. E mesmo nós que confiamos as tarefas aos outros, estamos sempre com um friozinho na barriga.

De acordo com Ellen White,

“...o pastor ocupa posição idêntica à do mestre de um grupo de operários, ou de um capitão de navio. Deles se espera que vejam que os homens sobre quem se acham colocados façam a obra que lhes é designada, pronta e corretamente, e só em caso de emergência precisam executar os detalhes”.

Ela ilustra isso com a seguinte história:

“O proprietário de um grande moinho encontrou uma vez seu superintendente a fazer qualquer simples reparo numa roda, ao passo que para ali, parados a olhar ociosamente, achavam-se meia dúzia de operários desse ramo. Havendo-se informado do fato, a fim de estar certo de que não faria injustiça, chamou o mestre ao seu escritório e entregou-lhe sua demissão, pagando-lhe integralmente. Surpreendido, o homem pediu explicação. Esta foi dada nas seguintes palavras: Empreguei-o para manter seis homens ocupados. Achei os seis ociosos, e o senhor fazendo o trabalho de um apenas. O seu trabalho poderia ter sido feito por qualquer dos seis. Não posso pagar o ordenado de sete, para o senhor ensinar os seis a serem vadios” (Obreiros Evangélicos, 197).

Ontem mesmo eu estava sentado em um parque ouvindo dois amigos que, sentados próximos a mim, conversavam sobre o trabalho de um deles com carretos rodoviários. O outro lhe perguntou: “Mas e aí, você tem dirigido muito pelas estradas? Você gosta?”. E o outro lhe respondeu: “Eu gosto, mas infelizmente não posso fazer isso”. Assustado, o outro perguntou: “Mas por quê? Você é o chefe!”. E ele respondeu: “Exatamente por isso. Se eu ficar no escritório, consigo ver  todos os motoristas, cada um no seu volante, e assim consigo administrá-los. Se eu ficar no volante, só conseguirei ver a minha cabine. Não verei os demais. Ninguém olhará por eles, e daí a casa cai”. Uau! Um homem simples, pelo jeito quase sem estudos. Mas, pelo menos nisso, um grande administrador.

Nós administradores somos tentados a não confiar em nossos liderados. Muitas vezes (e muitas mesmo) as tarefas que confiamos a alguém poderíamos nós mesmos fazê-las com muito melhor performance. Isso dói. Mas é necessário, pois eu só estaria fazendo bem aquela tarefa, e deixando de cuidar de todas as outras. Outras vezes é o contrário. Eu preciso confiar a outro a execução exatamente porque ele é muito melhor do que eu naquilo. Mas preciso acompanhar. O líder precisa estar acima dos seus liderados não para ser melhor do que eles, mas para que esteja em uma posição tal que lhe favoreça enxergá-los todos.

E ainda assim, haverá coisas que ficarão fora do alcance das vistas do líder. Isso acontece quando o quadro é complexo o suficiente para ter muitos níveis de liderança, no qual muitos dos liderados são também líderes. Nesse caso, para não se perder na administração, o líder maior precisa sair da neurótica ilusão de que ele poderá liderar diretamente a todos. Os que estarão lá adiante, nos níveis mais distantes, serão liderados por ele apenas indiretamente, e sim por seus liderados mais diretamente. E o líder maior poderá ficar sem conseguir enxergar de perto os seus liderados (indiretos)? Sim, desde que ele não deixe de estar vendo de perto, mentoreando e liderando diretamente, os seus liderados diretos, que estão no próximo nível ligado a ele.

Administrar requer confiança. Confiança no próprio taco, e confiança nos demais. Se você é inseguro, não conseguirá liderar. Mas nunca poderá ser tão auto suficiente a ponto de achar que os líderes que você lidera não sejam tão capazes quanto, cada um em sua esfera de influência. Quem se preocupa com tudo e com todos os detalhes não tem capacidade de liderança. Nenhum ser humano é onisciente, onipresente e onipotente. Somos interdependentes. E isso é bíblico. Deus nos fez assim. Ele nos confiou esse planeta inteiro para cuidarmos, mas não a um só. Ninguém é uma ilha.

E na minha área de administração, já vi muitos assumirem coisas de sucesso e irem pro buraco simplesmente por quererem resolver tudo sozinhos. Uns por serem tão seguros ao ponto de um extremismo que os isola de poder contar com os demais, vindo então a eclodirem sobre si mesmos. Outros por serem tão inseguros a ponto de achar que não poderão contar com ninguém, vindo então a fazer, sozinhos, somente uma parte, e deixar todas as demais partes ruírem-se. Isso é pecar contra 1Coríntios 12, por não compreender e colocar em prática o princípio do sacerdócio de todos os crentes de 1Pedro 2:5-9 e de Romanos 12:3-8.

Princípio este que veio desde o primeiro autor da Bíblia. O Senhor revelou uma lei da administração e da liderança para Moisés através de Jetro, seu sogro. Para Jetro, Moisés deveria compartilhar poder, entregando-o ao povo. A diluição do poder ocorreria ao se delegar responsabilidades para outros líderes. Mas fortaleceria o próprio poder. Incrível! E cada um desses líderes ficaria responsável, no máximo, por dez pessoas ou famílias. Moisés aceitou o conselho do seu sogro, pois já não aguentava mais o estresse e o excesso de trabalho. E dali em diante tudo ficou mais administrável e melhor administrado. Leia Êxodo 18! O eco que retumba aos nossos ouvidos é do grito de Jetro no ouvido do genro dele: “Moisés, você não está no chão da fábrica como responsável por apenas um pequeno detalhe! Você é líder! E líder não é o que faz; líder é o que faz fazerem. Delegue!”. Em administração, isso é uma lei! No reino de Deus, um princípio eterno!

Apesar de que isso não seja natural em nós, Deus tem trabalhado isso em mim. Quem é gente que faz tem uma tendência muito grande de achar mais fácil ir por si mesmo e colocar a mão na massa. Parece ser melhor fazer assim. Mas oportunizar o desenvolvimento dos outros na abertura da participação é colocar o coração e o corpo inteiro na massa. Hoje, décadas depois, graças a Deus, já tenho uma tendência praticamente natural de, em quase todos os lugares que chego, em praticamente qualquer situação que me venha às mãos, ter o instinto automático de me comportar assim: “tudo o que eu puder não fazer, mas puder colocar outro pra fazer, vou deixar de fazer pra colocar outro pra fazer”. Nisto, não estarei descumprindo Eclesiastes 9:10, pois estarei fazendo: ou outro fazer. E todos estaremos fazendo.

Deus pode lhe ajudar nisto também. Delegue, e assim você estará crescendo em liderança, administrando de alguma forma, abençoando aos demais aos quais estará concedendo oportunidades, ministrando, e perpetuando um dos maiores princípios do Reino dos Céus!

Que Deus lhe abençoe!

Pr. Valdeci Jr.



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