quinta-feira, 4 de julho de 2013

COMO FAZER UMA IGREJA ADVENTISTA CRESCER?

Uma Resenha do Livro “How to Grow an Adventist Church”, de Russell Burrill.

Um Desafio Ainda Não Alcançado

Estudos mostram que, dos 300 milhões de americanos, quase 250 milhões são uma população sem-igreja. Ou seja, somente uns 50 milhões de pessoas pertencem às 324 mil igrejas. Mas, somente a metade destes frequenta o culto regularmente. Mas se você perguntar pros americanos, 40% deles vão ter a cara de pau de dizer que foram à igreja na última semana. Mentira. Trata-se de gente que ainda tem um sentimento ligado à denominação, mas que na verdade não tem uma experiência real com Deus.

Para estas pessoas, a igreja se tornou um uma referência social. Elas foram criadas na igreja, gostam de sua cultura, mas não têm uma religião que se traduza num relacionamento vibrante esperado por Cristo. E no Brasil, a coisa não é diferente. Basta visitar as igrejas, olhar a vida das pessoas ou os sites estatísticos, como por exemplo, o do IBGE, para ver a história se reproduzir.

Como os sem-igreja são?

Classificar sem-igreja não é fácil. Mas, em linhas gerais, podemos destacar oito grupos.

Os não-cristãos, às vezes são menos sem-igreja do que os cristãos sem-igreja. São os Mulçumanos, Hindus, Judeus, Budistas, etc. Vivem nas regiões metropolitanas. Eles não se consideram sem-igreja, mas nós sabemos que precisam ser evangelizados.

Já os cristãos nominais, professam o cristianismo, mas dificilmente, ou até nunca frequentam a igreja. Cresceram na tradição, e só se lembram da igreja nas festas ou nos funerais. Mas eles se dizem batistas, metodistas, católicos, adventistas, etc., mesmo muitas vezes não tendo o nome listado na igreja.

Tem também os que não aceitam a instituição. Insatisfeitos com a igreja institucional, não vão à igreja alguma. Preferem adorar a Deus do seu próprio jeito. Mas se acham espirituais e comprometidos com o cristianismo. Isto inclui uns oito por cento dos sem-igreja. Esses religiosos sem-igreja, bem como o grupo anterior, são um público que a Igreja Adventista tem mais facilidade pra alcançar.

Outro grupo que os adventistas têm se despertado para compartilhar o evangelho com eles é o dos pós-modernos sem-igreja. Por não crerem que exista uma verdade absoluta, até que acreditam em Deus, mas o deus deles é uma mistura de várias ideologias que foram conhecendo. Nesse relativismo, muitos terminam sincronizando as religiões ocidentais e orientais e criando assim sua própria espiritualidade. Por relativizarem, são capazes de respeitar crenças diferentes sem nunca aceitá-las.

Os sem-fé são geralmente ateístas ou agnósticos. Apesar de não serem muitos, são um grupo minoritário específico que também precisam ser tocados pelo evangelho.

A comunidade homossexual se sente alienada do cristianismo conservador. Tem alguns deles que até se juntam às denominações mais liberais que tentam harmonizar o homossexualismo com o cristianismo.Mas na verdade a maior parte dos gays é desligada das igrejas conservadoras e consideram as pessoas que pertencem a elas como preconceituosas e negligentes. E de fato, as igrejas conservadores não estão preparadas para lidar com essa gente.

Um sétimo grupo sem-igreja inclui aqueles inseridos na ideologia da Nova Era. A religiosidade deles mistura paganismo e cristianismo, e às vezes até adoração satânica e bruxaria. Os crentes da Nova Era estão em crescimento rápido nos EUA. Você pode ver esse espiritualismo tanto nos produtos do cinema americano quanto da televisão brasileira.

A gente não pode esquecer ainda que as pessoas que pertencem e frequentam outras igrejas cristãs são também parte do nosso público-alvo. São pessoas, muita delas salvas em Jesus, mas que precisam continuar crescendo no conhecimento da revelação. As crenças bíblicas que são distintivas no adventismo têm que ser compartilhadas com todos os que já são cristãos vibrantes, mas que ainda não conhece toda a verdade presente.
É verdade que o adventismo cresceu tanto às custas da aceitação daqueles que já eram protestantes, ao ponto de os adventistas chegarem a ser acusados de “ladrões de ovelhas”. Mas a coisa tem mudado. Os atuais adventistas não estão mais fazendo um trabalho tão eficiente em alcançar outros cristãos. Agora são os neopentecostais e as igrejas independentes que estão assumindo a liderança arrebanhar as roubar ovelhas já conversas.

Pós Secularismo

Os cristãos preocupados demais com a influência do secularismo dentro da igreja deem ser avisados de que tal inquietação já está desatualizada. Estamos passando para que chamamos de período pós-secular (apesar de que a chegada do pós-secularismo não elimina de todo o secularismo). Isso não quer dizer que estamos voltando ao passado. As coisas não estão voltando a ser como eram antes. É que o pós-moderno assume um comportamento religioso, porém desinstitucionalizado.

Em sala de aula, na classe de Análise Multidisciplinar da Cidade do programa de Mestrado do seminário teológico do IAENE, comentando sobre esse livro, o professor Otoniel Ferreira fez lembrar que “ a afirmação de Harvey Cox no prefácio do seu recente livro “Fire from Heaven” (Addison Wesley) deveria cair na igreja como uma bomba. O autor do livro de referência de 1965, The Secular City, que influenciou duas gerações de líderes da igreja a repensar a vida e a missão da igreja em face da implacável marcha do secularismo, escreve 20 anos depois: ‘hoje é o secularismo, e não a espiritualidade, que pode se dirigir para extinção’.”
Conclusão

Para Russell Burrill, uma vez que as pessoas estão desacreditadas da igreja mas estão ávidas pela experimentação de uma religiosidade que lhes seja relevante, precisamos oferecer-lhes algo que faça sentido, na prática, para as reais necessidades da vida. Não trata-se de esquecer que haverá um Céu. Mas o Reino de Deus deve começar aqui. E Jesus viveu de uma forma que, incrivelmente, de há dois mil anos, ainda nos serve de modelo para enfrentarmos esta era pós-igreja.

O evangelho, mais do que nunca, hoje em dia precisa ser muito mais relacional do que cognitivo. Não estamos falando do abandono ao ensino. A transmissão do conhecimento das verdades bíblicas sempre será indispensável. Mas o que vai tocar realmente o coração dos sem igreja é o relacionamento autêntico e o serviço de amor que tem um sentido prático da demonstração do amor de Deus. Isso é vivido tête-à-tête. Gente se importando com gente em suas redes de amizade, e em seus pequenos grupos de relacionamentos em seus círculos sociais.

E a sustentação para tudo isso não está no evangelismo tradicional. Ele tem o seu lugar e sempre será válido. Mas para que a igreja continue sustentável em seu arrebanhamento de pessoas, o discipulado precisa tomar conta de tudo o que acontece na igreja. No templo e na vida cotidiana, é o processo de fazer discípulos, e de ser discipulados pelos mais experientes, que nos permitirá permear os atuais desafios urbanos e não deixar a bandeira da igreja cair.

E como vamos fazer isso? É o que você vai descobrir lendo este livro: Burrill,Russell How to Grow an Adventist Church. (HART, Fallbrook,CA. 2009) 110 páginas.

Um abraço,

Pr. Valdeci Jr.

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